Resenha | A Governanta (A. S. Victorian)

Um comentário
Os livros históricos são nosso passaporte para o passado, e eu amo essas viagens para outros tempos. Conhecendo um pouco da A. S. Victorian, eu sabia mais ou menos o que podia esperar de A Governanta, talvez por enxergar semelhanças entre o livro e outros romances históricos. Bem, nesse ponto ela me surpreendeu.

A Governanta conta a história - por vezes, sofrida - da Samantha. Com um pai ausente, mas uma mãe amorosa, acompanhamos parte da infância feliz da menina. No entanto, após a morte quase misteriosa da mãe, a vida da menina muda completamente. E é aqui, talvez, que começa de verdade o livro.

Criada por governantas no maior estilo "madrasta má", e com castigos praticados por seu pai cada vez mais ausente, Samantha amadurece rápido e perde boa parte do que deveria ser uma época feliz em sua vida. Nessa época, mesmo seu vínculo com amigos ganha alguma distância e ela se sente extremamente sozinha.

Talvez por todo esse resgaste à infância da protagonista, A Governanta sai bastante do que normalmente vemos nos romances históricos e me surpreendeu. Senti que o recorte poderia ter sido bem menor do que foi, ou então ser acrescentado à narrativa através de cenas no decorrer do livro, mas não foi algo que me incomodou tanto.


Quando a menina faz, enfim, 18 anos, a história deslancha em casamento arranjado, pai casado e com outro filho, decisões e reencontros. É um ponto realmente marcante não só para a personagem, mas também para a autora, que vai ganhando mais voz na narrativa.

Sempre muito obediente e uma filha exemplar, Samantha resolve fugir do casamento forçado e das garras do pai, cada vez mais cruel. Com a ajuda de amigos, ela parte para a Inglaterra e vai trabalhar como governanta na casa do David Luft. Aqui, a narrativa da A. S. Victorian está em seu melhor momento, fluída e muita gostosa de ler.

A leitura para mim foi bem rápida, sempre numa narrativa de tom simples; ditada tanto pela "voz da escritora", que parece ter encontrado seu jeito de escrever nessa simplicidade, quanto também por sua falta de experiência. Dá para ver como a autora amadureceu com relação ao início do livro, e, por ser seu primeiro livro, é bem claro o quanto ela precisa aprender daqui para frente ainda.

Com relação a isso, talvez o que eu mais tenha sentido falta é de uma aproximação com a Inglaterra daquela época, afinal, este é um romance histórico. O recorte não foi muito bom, e é possível que tenha faltado alguma sintonia entre a autora e a própria época em si.

Falta de pesquisa? Não sei bem. Acho apenas que Victorian não conseguia se imaginar tão bem dentro do universo que escrevia e isso tirou um pouco da experiência do próprio leitor dentro do cenário. Ainda assim, sinto que para um primeiro trabalho no gênero, a Victorian se saiu muito bem!

O destaque está para o romance, que começa com um clichê mas consegue ganhar identidade própria no decorrer das mais de 500 páginas do livro. Aliás, não só isso é um grande feito: o fato do livro ser tão longo, e ainda assim fácil de ler, dá alguns pontos de crédito para a autora, que soube dirigir boa parte da narrativa muito bem.

O romance de estreia da A. S. Victorian merece atenção, talvez, por suas personagens marcantes e humanas. Porém, a edição do livro passou por muitos problemas com relação à edição do texto. Há muitos erros ortográficos e de digitação, marcando principalmente a falta de atenção da editora do livro quando lançou a edição. Uma pena!

No mais, A Governanta é um livro bacana para passar o tempo. O tom da narrativa é ideal para quem quer ler algo em uma única sentada, e as 500 páginas não devem assustar. Não mesmo! Se você gosta de romance, final feliz e aqueles velhos mocinhos durões, se joga na leitura, que provavelmente você vai gostar.

Para ler o primeiro capitulo, acesse o blog da autora!

Autora: A. S. Victorian
Editora Maresia
Ano 2016
504 páginas
SkoobNota: 7,5/10 | 4 estrelas
Sinopse: Samantha sempre foi a filha exemplar que obedecia piamente ao pai. Mas, depois de seu noivado forçado com um homem assustador, decidiu dar um basta em seu sofrimento. Sua solução foi fugir para a Inglaterra e trabalhar como a governanta do pequeno Charles em Winterfields. Era a chance de ser feliz, mas o passado sulcara a vida das pessoas ali, construindo um fosso profundo no coração do dono do lugar, David Luft.
Mr Luft era ininteligível, sempre sério e pensativo, guardando coisas que nem a própria Sam imaginava. Curiosa, ela luta para entrar naquela mente conturbada e, quando dá por si, não é mais curiosidade que a motiva a continuar.

Um comentário :

  1. Oi, Aline! Muito obrigada pela resenha, adorei!
    A ambientação é um problema apontado por outros leitores (algo que com certeza irei tentar melhorar nos próximos livros), mas que de fato não foi minha preocupação nesse xD
    Fico feliz que tenha gostado do livro <3

    Beijinhos

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