Resenha | A Bela e a Adormecida (Neil Gaiman)

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A capa e o título já soam sugestivos por si só, mas ao ler o nome do Neil Gaiman na capa, a vontade de ler o livro se torna incontrolável! Em A Bela e a Adormecida, a história tem todo o potencial para chamar a atenção dos leitores mais jovens, mas, com certeza, agradará ainda mais os adultos! A dose certa de aventura e criatividade ronda todo o enredo, e faz da leitura uma corrida rumo ao desfecho.

Convenhamos que releituras de contos de fadas têm soado bastante clichês recentemente, com a moda lançada depois do filme e livro da Branca de Neve e o Caçador uns anos atrás. Dar a esses antigos contos um tom mais real e cheio de personagens hiper-humanas, é uma estratégia que já está sendo bastante usada e cativou o público facilmente. Mas Neil Gaiman resolveu ir pelo caminho totalmente inverso, investindo numa história super “magicalizada”, com uma grande aventura e princesas nem um pouco indefesas.

A história da Bela Adormecida já é conhecida por todos, principalmente por sua adaptação em animação feita pela Disney. Porém, achar que Neil Gaiman vai seguir o roteiro da história original é insano. Assim como o conto original - longe de suas adaptações infantis -, a história de Gaiman tem um potencial macabro, com pinceladas de cenas aterrorizantes. Além disso, as reviravoltas, já comuns aos livros do autor, dão ao A Bela e a Adormecida uma cara totalmente nova e apaixonante.

Como mulher - e feminista! -, devo dizer que o autor me conquistou nessa obra muito mais pelas suas protagonistas femininas do que por outro motivo. A história começa com a rainha Bela descobrindo que uma outra princesa num reino distante está em perigo - e, ao mesmo tempo, pondo outras pessoas em perigo também. Mesmo sendo véspera de seu casamento, ela decide que precisa fazer algo. Determinada e forte, ela resolve que o mais sensato é ir atrás dessa princesa adormecida para resolver o problema, mesmo que para isso ela precise passar por perigos que ela nem imagina o que são.

Ela está acompanhada de 3 anões, e juntos eles atravessam grandes montanhas e cidades. Ela se assusta ao ver que todos os moradores, por onde quer que passassem, estavam em sono pesado. Mais assustador ainda é perceber que eles começam lentamente a se levantar e segui-la, mesmo ainda desacordados. Como que fugindo de zumbis dorminhocos, ela e os anões correm em direção do castelo que está trazendo esse problema.

Com pouco mais de 70 páginas, o livro tem ilustrações belíssimas e a narrativa conta com aquele toque característico do autor - algum tipo de poesia mágica em forma de prosa. É, certamente, inebriante. Ainda assim, com alguma ajuda as crianças mais jovens podem ler o livro tranquilamente, já que a narrativa segue sempre um ritmo muito simples.

Um detalhe importante está no próprio conceito do enredo. O autor não dá nome à nenhuma de suas personagens, sejam elas princesas ou não. Se para os leitores que desconhecem o Gaiman isso pode soar como uma pobreza de enredo, eu digo que é exatamente o contrário. As princesas, seja ela a adormecida ou a heroína, são faces de uma única personagem: a própria Bela Adormecida.

Reconstruir uma personagem feminina mostrando que ela é a salvação de si própria é apontar para o empoderamento feminino e gritar para as mulheres buscarem seu príncipe dentro de si próprias. Afinal, quem melhor para nos amar, que não nós mesmas? A mensagem presente no final do livro também foi bem bacana, justamente por apontar para uma “falta de final”. A partir dali, a vida das personagens não é mais um conto de fadas, e sim uma trilha em busca de suas próprias aventuras, seja ela qual for.

Outra questão interessante apontada pelo autor é o papel de liderança de suas personagens femininas - e tão marcantes - presentes no livro. O livro é curto, mas é o suficiente para ser apresentado à mulheres que governam reinos, mulheres com poderes mágicos fortes e, claro, heroínas. Para que se limitar? As mulheres apontadas por Gaiman são aquelas que veem o céu como limites, como toda mulher em nosso mundo real também deveria ver. Os homens, exceto os anões, quase não aparecem no decorrer do livro.

Depois de tudo que eu disse, é fácil perceber que o livro não só está recomendado, como também já marca presença em minha lista de futuras releituras. Alguns livros foram feitos para serem lidos uma, duas, três vezes. A Bela e a Adormecida é um desses livros.

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Autor: Neil Gaiman
Ilustrador: Chris Riddell
Editora Rocco
72 páginas
Skoob
Nota 5/5 | 10/10Sinopse: Em uma sombria e fascinante história, as mais queridas princesas dos contos de fadas são reinventadas de maneira brilhante pelo inglês Neil Gaiman e o ilustrador Chis Riddell. Em A Bela e a Adormecida, uma jovem rainha é informada, na véspera de seu casamento, sobre uma estranha praga que assola as fronteiras do seu reino, um sono mágico que se espalha pelo território vizinho e ameaça os seus domínios. Na companhia de três anões, a rainha abandona o fino vestido da festa, pega sua espada e armadura e parte pelos túneis dos anões para o reino adormecido. Uma viagem repleta de ação e suspense que leva a uma surpreendente descoberta. Misturando o conhecido e o novo com perfeita sintonia, Gaiman cria mais uma obra repleta de magia e aventura capaz de hipnotizar o mais exigente dos leitores.

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