Resenha | Amante Sombrio - Irmandade da Adaga Negra (J.R.Ward)

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Gente, foram muitos anos ouvindo falar da Irmandade da Adaga Negra, muitos mesmo! A fama é grande, e enfim resolvi dar uma chance para a série da Ward. Depois de tanto tempo fora do circuito de romances eróticos, me joguei na leitura de Amante Sombrio, primeiro livro de uma série que tem todos os ingredientes básicos para agradar fãs de romance adulto.

Erótico sem ser vulgar, com uma protagonista inicialmente bem cativante e narrativa dentro de um cenário sombrio - o dos vampiros - ainda mais poderoso, o livro tinha tudo para me agradar completamente. Porém… É. Podia ter sido melhor. A decepção não foi muito grande, mas eu esperava muito mais da protagonista principal proposta por Ward.

Veja bem. Não é que eu tenha odiado o livro - com certeza, não. O universo criado por J.R.Ward é muito rico, seja no quesito personagens, seja no quesito “cenário”. Como primeiro livro de uma série que já conta com 13, a autora se dedica em Amante Sombrio a explicar melhor o que são os seus vampiros, suas lendas, divindades e regras de convivência. Isso é muito interessante e torna a leitura bem mais rica. Melhor ainda foi ver como a autora conseguiu se manter fiel a esse conjunto de nós que forma a sociedade de vampiros. Inicialmente, somos apresentadas a protagonista do livro, a Beth Randall.

Jornalista - e está ai mais um dos vários fatores que me entusiasmou bastante no inicio do livro -, Beth é uma personagem de personalidade forte e decidida, além de solitária e desinteressada no sexo oposto. Ela é quase virgem, no sentido de ter tido poucas relações sexuais e ter pouco interesse no sexo. Mas, mais do que isso, ela é ingênua, apesar de ser adulta e trabalhar em meio a muitos homens por conta de sua profissão.

Órfã e com uma vontade latente de conhecer e entender a si mesma e seu passado, ela mal pode esperar pelo modo como sua vida vai virar de cabeça para baixo em poucos dias. Fato é que, apesar de parecer uma personagem bem independente, Beth não foge em quase nada dos estereótipos e modelo de protagonista de romances adultos contemporâneos. A começar por sua relação com o sexo, sua quase virgindade é um retrato de mocinhas "intocadas" que já lemos e relemos na ficção adulta há bastante tempo.  

“Algumas pontes temos de atravessar sozinhos, não importa quem nos empurre até ali.” - Quote separado por Fatality Literário

Como o livro é contato pelo ponto de vista de diversas das personagens centrais, podemos ter uma visão mais ampla do que realmente está acontecendo dentro desse mundo tão complexo criado por Ward. E é dessa forma que descobrimos que o pai de Beth, que ela nunca chegara a conhecer, é um vampiro sangue puro; o que torna nossa mocinha, claro, uma vampira.

Por uma série de motivos, o pai dela decidira que tiraria toda a memória da menina e a deixaria num orfanato, como uma forma de protegê-la do mundo cruel e violento dos vampiros, e ele tinha a esperança que o sangue vampírico dela nunca despertasse. A transição de um vampiro - seja homem ou mulher - para a fase adulta é um processo extremamente doloroso, e exige que você tenha um parceiro ou parceira para compartilhar seu sangue puro com você, para que a transição ocorra sem problemas. E isso era uma coisa que Beth não tinha, apesar de estar cada vez mais próxima de sua transição.

O pai dela, que sempre a acompanhou de longe, decide ele mesmo intervir nesse processo. Ele sabe que sua filha está próxima da transição, e pede para que um amigo seu da Irmandade da Adaga Negra proteja sua filha e dê a ela sua transição. Esse vampiro foi o temível Wrath, que, mesmo agora, ainda não decidi se gosto ou não dele.

É um personagem bem naquele perfil de Bad Boy que não quer conta com ninguém, forte e violento. Um vampiro sem piedade. Ele não queria se meter numa coisa tão complexa quanto participar da iniciação de uma vampira que nem sabia que era vampira, mas acabou topando diante os acontecimentos trágicos que a autora impôs a história. Dai pra frente, começa a relação entre Wrath e Beth.

“Tão importante quanto saber quem você é, pensou ele, é saber quem você não é.”- Quote separado por Fatality Literário

E apesar do inicio do livro ter apresentado uma Beth decidida, enquanto a relação dela com Wrath se fortalece, vemos o modo como ela vai “amolecendo” e se tornando cada vez mais suscetível ao personagem masculino. Não enxerguei nele uma figura exatamente machista, mas a posição dele até diante do sexo é uma coisa que não dá mesmo pra ignorar. Num post sobre a representação das mulheres na ficção, eu expliquei um pouco melhor sobre esse processo de transformar a relação sexual numa verdadeira conquista/guerra de gêneros.

E quem me segue no Twitter, deve ter visto o verdadeiro piti que eu dei quando fui ler a prévia de Amante Eterno - segundo livro da série. Diante o final do primeiro, que foi muito bom, eu estava bem ansiosa para ler o próximo livro da Irmandade. E ai, o que fazer quando você está lendo uma cena que respira estupro, mas que, ainda assim, a autora coloca como uma cena romântica? O verdadeiro pecado da autora é forçar no quesito “personagem bad boy”, e colocar qualquer violência feita por eles como algo normal e institucionalizado. Não sei lidar, e não sei tanto, que decidi escrever um texto sobre a cultura do estupro nos romances adultos. Logo o texto sai!

Saindo desse tema complicado, Amante Sombrio não se resumo a beijo e sexo. Os inimigos mortais dos vampiros ganham destaque durante a narrativa, e a autora dá voz até mesmo à eles. Há capítulos só sob o ponto de vista da personagem central do “outro lado” da moeda, e isso é muito bacana, além de mostrar que a autora está muito mais interessada em desenvolver seu cenário, do que apenas sair juntando casais a cada livro que passa (e haja livro, hein, o 14º já foi anunciado pela autora e saiu esse ano nos EUA).

E se Beth perdeu vários pontos comigo durante o decorrer do livro, muitos deles foram recuperados logo no final da história. A personagem conseguiu quebrar aquele estereótipo chatinho de donzela em perigo e mostrou do que uma vampira é feita. <3

"– É muito valente. E resistente. Assombra-me.
Ela sorriu, e se inclinou para lhe dar um beijo rápido. Mas ele a imobilizou, e falou bem pertinho dos lábios dela:
– E obrigado por me salvar a vida. Não só no celeiro, mas também pelo resto de meus dias.”

Confesso que o final do livro me ganhou muito mais do que o seu meio. O inicio e o final são perfeitos, e a autora escreve muito bem também, o que ajuda. O romance entre os personagens é cativante, e se costura ao lado de decisões importantes dentro da Irmandade, o que torna a história ainda mais fértil.

E, não sei quantas vezes já repeti isso durante essa resenha, mas é verdade: a autora é SUBLIME no quesito construção de cenário. O pano de fundo para as histórias, que são romances - e bem eróticos! -, torna o livro algo que vai além apenas dos beijos e transas que vão rolar durante a leitura. Afinal, não dá pra esperar outra coisa.

Porém, como eu falei, a cena prévia de Amante Eterno me assustou um pouco, e ainda não sei se dou uma chance para a continuação da série, ou deixo passar, apesar de recomendar bastante Amante Sombrio. A leitura não é perfeita, mas o romance foi muito bem construído, sim, e acredito que fãs do gênero vão adorar.

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Autora: J.R.WardSérie Irmandade da Adaga Negra - livro 1
Editora Universo dos livros
448 páginas
Skoob
Nota 8/10, 3 de 5 estrelas
Sinopse: Nas sombras da noite, em Caldwell, Nova York, desenrola-se uma sórdida e cruel guerra, entre vampiros e seus carrascos. Há uma irmandade secreta, sem igual, formada por seis vampiros defensores de sua raça. Ainda assim, nenhum deles deseja a aniquilação de seus inimigos mais que Wrath, o líder da Irmandade da Adaga Negra. Wrath é o vampiro de raça mais pura dentre os que povoam a terra e possui uma dívida pendente com os assassinos de seus pais. Ao perder um de seus mais fiéis guerreiros, que deixou órfã uma jovem mestiça, ignorante de sua herança e destino, não lhe resta outra saída senão levar a bela garota para o mundo dos não mortos. Traída pela debilidade de seu corpo, Beth Randall se vê impotente em tentar resistir aos avanços desse desconhecido, incrivelmente atraente, que a visita todas as noites envolto em sombras. As histórias dele sobre a Irmandade a aterrorizam e fascinam. Seu simples toque faísca, um fogo que pode acabar consumindo a ambos.

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