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Diário de autora | Dores do recomeço e 3 dicas para quem quer voltar a escrever

sexta-feira, maio 06, 2016 Naiane Aline 1 Comments Category : , , , ,

Você escreve cinco palavras, para e pensa. “Está ruim”, - tac tac tac tac tac, apaga tudo. Mais duas palavras. Há algo de errado. É, vou comer uma pipoca antes de continuar. Dois episódios de Samurai X depois, você pensa “preciso continuar a escrever!”. Volta pra página em branco aberta no computador. Tac tac tac. Continua ruim. Apaga. Reescreve

Decide que as cinco primeiras palavras que escreveu são as melhores. Tenta escrever mais, mas parece que as palavras fugiram totalmente de sua mente. Então decide parar. “É, talvez amanhã eu esteja melhor, mente mais arejada”. O amanhã se transforma em dois dias, que se transformam em uma semana, duas… Quando você dá por si, já está há 3 meses sem escrever uma única linha para seu projeto - seja ele um livro, um simples conto ou qualquer coisa do gênero.

Qualquer semelhança é mera coincidência… ou não. Quem sofre os males da procrastinação, sabe muito bem como é complicado resistir aos desafios que a vida lança toda vez que você senta para escrever algo. Inclusive, textos curtos para blogs, como esse que escrevo agora - e que procrastino há mais ou menos 2 semanas.

Ora. Imagine isso em larga escala, então. Um livro inteiro, algo que exige de você não apenas um ou dois dias de dedicação, mas um ou dois anos inteiros. Quem sabe até mais. Esse não é, definitivamente, um texto de respostas absolutas, mas de coisas que me ajudaram a avançar um pouco na cena caótica que meus projetos literários se transformaram.     
 
Depois de ter escrito meu primeiro livro de verdade aos 13 anos, não consegui concluir mais nada. Eu não sei dizer até que ponto a culpa é da minha falta de foco, surtos de falta de criatividade ou apenas desencontros da vida mesmo. Há dois anos atrás, quando comecei o projeto do meu novo livro de fantasia, eu certamente não esperava que escreveria apenas 8 - O-I-T-O - páginas durante esse tempo. F
oi então que resolvi ser taxativa. Larguei o estágio e demais responsabilidades que tinha, e decidi me dedicar integralmente ao meu projeto. Minha expectativa é que Os Illunis do Sul - Saga de Nyria  seja concluído ainda esse ano; mas, é, esbarrei numa dificuldade que realmente não contava: recomeçar é duplamente mais difícil que começar algo do zero. E se você é autor e está na mesma situação que eu, só posso te dizer uma coisa: que os jogos comecem!

Retrospectiva sem exagero

Primeiro ponto, caso esteja produzindo um material ficcional há mais décadas do que consegue contar nos dedos da mão, é importante que você pare para rever tudo que já produziu, incluindo o roteiro da sua história. O roteiro, inicialmente, pode parecer algo que vai cortar sua liberdade durante seu processo de escrita, mas a verdade é que ele funciona numa direção inversa. É através do roteiro que você vai conseguir mais segurança para mudar o que quiser na história sem medo de estar deixando pontas soltas sem perceber. Pois bem. Releia, revise, repense. Mas não fique preso nisso por 3 meses, jovem padawan!

Assim que decidi que retomaria a Saga de Nyria, pegar os roteiros (que estavam meio soltos divididos em vários locais) e rever tudo me ajudou muito a ter segurança para escrever a primeira linha depois de muitos meses longe da história. Claro que nada é tão fácil quanto “leia seu roteiro e voilá”, mas não dá pra transformarmos até esse passo num abismo profundo demais pra transpor. Afinal, se queremos recomeçar, saber das dificuldades e querer superá-las é o mais essencial.

Só escreva

Se o meu projeto ficou mais órfão que anjo cristão, com certeza não foi por falta de tentativas de voltar à ele. Repetidas tentativas, todas frustradas. E por motivos de: muito planejamento. Além de ficar presa no roteiro por uns 7 meses, ano passado, eu não conseguia escrever uma linha sequer pensando se estava seguindo o caminho certo.

A verdade é: não existe caminho certo. E, pode parecer clichê, mas o primeiro passo para conseguir terminar de escrever qualquer coisa é pondo no papel a primeira palavra. Está com falta de inspiração? Escreva! Escrever é um exercício, muito mais do que uma arte que te exija inspiração 100% do tempo. As ideias começarão a fluir depois que você der o primeiro passo.

Escreva. Sem interrupções, sem pensar se o que está escrevendo é bom. Só escreva. O momento para melhorar seu texto e torná-lo o mais perfeito possível é após você concluir todo o material e começar o trabalho de revisão. E, sim(!), a revisão é importante, não importa se você vai passar seu material para outras pessoas revisarem ortograficamente depois. Você, como autor, precisa voltar a seu próprio texto e ai, nesse momento, realizar as mudanças textuais que desejou inicialmente. É o momento de ser o mais perfeccionista possível!

Desde que comecei a trabalhar desse jeito, minha produção aumentou bastante. Então é uma daquelas dicas que eu posso dizer que dá certo, e muito.

Uma opinião amiga (ou nem tanto)

O fantasma da insegurança é um dos algozes fatais dos escritores. É difícil continuar escrevendo, ou até mesmo ter animo para isso, quando parece que tudo que você está escrevendo é uma porcaria (o que entra um pouco também no tópico anterior).

Pode não ser tão fácil se sentir estimulado a escrever, como citei no item anterior, com essa insegurança, que certamente não é um sentimento fácil de mandar embora. A solução, talvez a melhor de todas, é pedir para um ou dois amigos lerem sua produção e darem opiniões sinceras sobre o que leram. Ou, melhor ainda: chame um leitor aleatório, alguém que você não tem intimidade mas sabe que curte o gênero de seu livro, e peça pra ler o que você já produziu.

Só essa ação já pode operar milagres em sua produção, sério! E o mais legal é que há grupos no Facebook,e provavelmente há também em diversos fóruns espalhados pela internet, com pessoas dispostas a oferecer esse segundo olhar a seu projeto. Os chamados Beta readers, esses leitores que oferecem visões por vezes até profissionais, estão disponíveis na rede nas mais diversas formas. Hoje em dia, não é difícil encontrar até mesmo aqueles especializados nesse tipo de consultoria, e dispostos a oferecer esse serviço ao autor através de uma certa quantia.

Para quem não tem dinheiro para investir nisso por enquanto, como eu, apelar para grupos de autores independentes no Facebook ainda é a melhor opção. Um que conheço e pode ajudar bastante nessa caça à um beta reader voluntário, é o Escritores ajudando outros escritores; que super vale a pena participar, inclusive, para quem não quer exatamente um beta reader, mas está interessado em acompanhar a experiência e dicas de outros autores.

O processo parece doloroso - e, por vezes, parece mais do que é quando posto em prática -, mas garanto que ver seu projeto prontinho no fim de tudo é muito gratificante. Então, só nos resta uma coisa: seguir em frente. E vamos lá que ainda há muitas histórias para contarmos. :) 

Diário de escrita: 12.874 palavras escritas

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1 viciados comentaram

  1. ADOREI SEU POST VAI ME AJUDAR MUITO OBRIGADA , ESTAVA NESSA SITUAÇÃO ATE HJ MAS AGORA LENDO SEU POST POSSO AFIRMAR QUIE IREI CONCLUIR O MEU PRIMEIRO LIVRO. OBRIGADA MESMO

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