Resenha | Star Wars, Herdeiro do Império (Timothy Zahn)

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Sem sombra de dúvidas, Star Wars vive de seus vilões. O papel deles em toda narrativa, do início ao fim da primeira trilogia de filmes, é indiscutível. Se Darth Vader - junto à Palpatine - atuou na primeira trilogia como o símbolo do lado negro da força, é mesmo difícil imaginar uma persona que tomasse o lugar de Vader após sua morte no episódio VI da série de filmes.

Difícil mas não impossível. O autor Timothy Zahn, publicado mais recentemente no Brasil em 2014 pela Aleph, é a prova de como o universo expandido de Star Wars, com todas as suas obras que vão de livros, quadrinhos à games, pode funcionar como de fato uma continuação do que vimos nos filmes originais. Inclusive, com o imprescindível: ótimos vilões.

A continuação da célebre trilogia da década de 70 ganha forma através de Herdeiro do Império, primeiro livro da trilogia escrita por Zahn. Com a dose certa de política e ação, o autor nos apresenta a fragilidade da Nova República 5 anos após a batalha e morte de Darth Vader no episódio VI da franquia, dando vida e forma para um novo vilão tão poderosos e influente quanto o próprio Vader. É impressionante como o autor conseguiu pôr em palavras a personalidade dos nossos protagonistas preferidos, e é fácil visualizar porque a obra escrita por Zahn é considerada ainda hoje como a continuação verdadeira da trilogia de filmes que nos apresentou Luke, Leia e Han Solo.

Apesar da derrota do Império no último episódio da trilogia, o mal está reestruturando suas forças de base e volta a ganhar fôlego. Derrotado, sim, mas não sem uma mente tentando dar nova vida ao plano que começou com Palpatine e ganhou força nas mãos precisas de Darth Vader. Diante disso, as dificuldades da Nova República, comandada por Leia Organo-Solo com o apoio de Luke e Han, vão além da instabilidade política comum a um novo governo. As movimentações do Império, agora gerido pelo comandante Thrawn, visam minar a força da Nova República aos poucos, e a ameaça começa a se tornar cada vez mais real.

Não à toa, a leitura do inicio do livro pode ser bem lenta. O autor vai te fazer caminhar entre o que a Nova República é agora, e aponta os esforços dos nossos heróis para manter esse novo governo. Então, temos aqui as tentativas de Han Solo em fazer parcerias com contrabandistas, pra ajudar no transporte do que a Nova República precisa; Leia, grávida de gêmeos e casada com Han, tentando controlar suas habilidades jedi ao mesmo tempo que ampara a instabilidade política do governo; e Luke tentando descobrir seu papel como último jedi capacitado à usar a Força. Fazer esse passeio durante a leitura torna o livro mais lento, mas é algo bastante necessário. Depois de 150 páginas, mais ou menos, o ritmo do livro muda completamente.

Além de nossos velhos companheiros, tamos também novos personagens, muitos deles tão cativantes e necessários para a narrativa quanto os próprios protagonistas. Além do vilão - Thrawn -, que conquista o leitor muito rapidamente com sua habilidade quase mística de controlar pessoas e prever o que elas farão, temos também a misteriosa Mara, que nutre um rancor inicialmente inexplicável à Luke.

O mistério sobre o passado da moça, e sobre o porquê dela desejar tanto matar Luke, se mantêm até quase o fim do livro. A personagem me cativou completamente, não só pela sua carga psicológica confusa, mas também por sua força como guerreira e estrategista; só que - bem, é -, descobrir o mistério do passado dela me decepcionou completamente.

Eu esperava muito mais de Mara e devorei os capítulos em que ela aparecia tentando captar alguma pista do que teria acontecido àquela moça para que a missão de vida dela fosse matar Luke. Quando descobri, me pareceu um motivo muito, muito fraco, e eu diria até que o autor é muito melhor em segurar mistérios do que em criar, propriamente, o mistério. Decepções à parte, todas as outras personagens que apareceram foram maravilhosas.

E, claro, não dá pra esperar qualquer história de Star Wars sem x-wings batalhando no meio da galáxia e tiros - errados - dos stormtroopers. A receita está completa diante as discussões políticas, que sempre estiveram presentes na franquia, a ação, e a luta da república contra o Império. Mas esse é apenas o inicio.

O livro aponta, de maneira lenta, o ressurgimento do Império e as estratégias que ele provavelmente seguirá usando nos próximos dois livros da trilogia. O lado sombrio da força está ganhando força, amigos! E esse primeiro livro, foi apenas um retrato singelo das primeiras movimentações dele.


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Autor: Timothy Zahn
Trilogia Thrawn
Editora Aleph
472 páginas
Skoob
Nota 9/10
Sinopse: Luke, Han e Leia enfrentam uma nova ameaça. Cinco anos após a destruição da Estrela da Morte, a ainda frágil República luta para restabelecer o controle político e curar as feridas deixadas pela guerra que assolou a galáxia. O Império, porém, parece não ter morrido com Dath Vader e o imperador. Habitando os confins da galáxia, o grão-almirante Thrawn, gênio militar por trás de diversas ações imperiais, ainda luta para reconquistar o poder perdido. A bordo do destroier estelar Quimera, ele descobre segredos que lhe darão a chance de destruir definitivamente o que restou da Aliança Rebelde, para assim retomar o domínio da galáxia e controlar os últimos dos Jedi.

Herdeiro do Império é considerado um dos mais importantes marcos do Universo Expandido de Star Wars. Desde seu lançamento, tem sido considerado pelos fãs da franquia como a verdadeira continuação da trilogia original. Além disso, a obra foi usada como base criativa para vários outros produtos da série, incluindo elementos de jogos, filmes e animações.

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