Primeiras Impressões | Como comecei a ler Sci-fi

4 comentários
Tenho cara de nerd, sou fã de Star Wars, mas juro que não passo de uma bookaholic-otaku-nada-nerd, gente! Juro! Uma prova disso é que até bem pouco tempo eu não tinha conhecimento algum de ficção científica e, bem verdade, até agora não há muita diferença nesse sentido. Ano passado algumas coisas me fizeram abrir os olhos para o gênero e procurei algumas leituras iniciais do tema, e o resultado dessa experiência é esse texto que você está lendo agora :)

Eu já havia tido contato com Sci-fi anteriormente através da leitura de O Guia do Mochileiro das Galáxias, mas, apesar de ter curtido da leitura, não foi algo que me deu tesão pelo tema. Meu primeiro contato oficial com o gênero ocorreu só ano passado, e foi despretensioso e sugestão de um amigo meu, fã de toda a área há muito tempo. Como sou uma ótima amiga, claro que acatei a sugestão e peguei Frankenstein (Mary Shelley) pra ler, com algumas expectativas já formadas pelos filmes infantis que assisti do conto quando mais nova. Resultado: não sei se frustração, não sei se confusão. Curti a leitura, como exprimi na minha resenha, mas estava bem longe do que eu imaginava que encontraria. Foi quase como beber água esperando sentir o gosto de vinho! Isso me intrigou. Afinal, o que é ficção científica? Nada que o estereótipo que esse termo carrega, pode crer.



Frankenstein

5 Estrelas  Me surpreendi com a leitura, muito mais por ter me deparado com um romance quase psicológico do que por outra coisa. A história já surge de seu fim: o resultado dos desejos ambiciosos do jovem cientista Frankenstein nos guia por uma história de morte e medo. O desejo de criar vida com suas próprias mãos, tal qual um deus, levou o rapaz a fazer atrocidades em nome da ciência e o resultado foi sua obra prima - um ser tão horrendo que ele mal podia olhar na cara, mas vivo. É um livro, sobretudo, dos horrores de nossa sociedade que cria seus próprios monstros e os odeia e teme culpando o diabo.


Numa turnê realizada ano passado pela Editora Aleph por diversas cidades do Brasil, com a proposta não apenas de apresentar o gênero a leitores tão leigos quanto eu mas também divulgar os lançamentos da época da editora, acabei vendo tudo que eu estava perdendo simplesmente porque me guiava pelo senso comum para não ler o gênero. Não dessa forma tão dramática, digamos apenas que, enquanto leiga do gênero, eu tinha uma visão sobre ele que não exatamente me instigava a ler. E essa visão era totalmente equivocada! Foi por esse evento promovido pela editora - que, aliás, é uma das mais dedicadas no país na publicação de Sci-fi, ou FC -, que eu descobri livros como A Mão Esquerda da Escuridão, que levanta questões existencialistas sobre luta de gênero. Em resumo, meus olhos foram abertos para o que a FC realmente é: uma fantasia que usa bases reais e científicas para imaginar novos mundos alternativos, no passado, futuro ou presente. Ler FC é adentrar em universos paralelos, mas só isso... Você pode encontrar de livro de comédia, romance até drama, num gênero tão amplo.



A mão esquerda da escuridão

4,5 estrelas de 5
Conheci o livro no evento ministrado pela Editora Aleph e foi paixão à primeira lida na sinopse. Como feminista, lésbica e o caralho a quatro, imaginar um mundo sem a barreira do sexo, como Ursula K.Le Guin faz nesse livro, é quase como pensar no paraíso. A leitura foi bem densa, mas maravilhosa, obrigada <3 (PS.: E essa capa, gente? LINDA!)



Ficção científica não necessariamente é um aglomerado de naves e sabres de luz numa batalha intergalática constante contra o mal. Ela pode carregar em sua essência um teor mais aventureiro, como Viagem ao Centro da Terra, mas também pode misturar samurais e hackers numa batalha contra a virtualidade - matrix -, como acontece em Neuromancer. Pra uma leiga no tema como eu, perceber isso foi como levar uma rasteira da sociedade; afinal, como um gênero tão amplo que consegue abordar tantas questões foi resumido num senso comum tão tolo? Vamos melhorar, gente!



Viagem ao centro da Terra

5 Estrelas
Quando peguei Julio Verne para ler eu não estava interessada em me inteirar com o gênero que o autor se propunha a escrever. Gosto bastante de clássicos - como é fácil de perceber! -, e só pelo nome do autor e fama do livro foi que decidi me jogar na leitura. Uma aventura maravilhosa e narrativa cativante do jeitinho que gosto! Adorei a leitura, mas também acho que é uma coisinha que não agradaria todo tipo de leitor. Ou será que é um conceito errado meu?


No fim, acabei percebendo que já havia tido algum contato com o gênero através de outras leituras, inclusive nacionais! Um exemplo é o livro As duas faces do destino, do autor brasileiro Landulfo Almeida, que tem pitadas de romance, ação, ciência e… Economia. Sim, economia!


Ainda assim, o gênero é de leitura complexa, ao mesmo tempo que muito gratificante. Talvez a característica mais essencial da FC, enquanto gênero e sobrepujando o mais óbvio - o uso da ciência para imaginar realidades alternativas - , é seu senso de inovação. É um gênero longe de clichês, distante de enredos prontos que cansam muitos leitores de fantasia, por exemplo. Caso você seja um desses leitores, experimentar ao menos uma leitura do Sci-fi pode ser sinônimo de liberdade <3

Leitura atual

Neuromancer

Um professor meu super fã do William Gibson sugeriu esse livro numa aula da faculdade, e já na época fiquei ansiosa para me jogar na leitura - mas não o fiz. Acabou que o livro também foi citado no evento que a Aleph ministrou, e o desejo voltou com força total, acompanhado de uma amiga que estava falando que tinha o livro… Ai já viu, né. A leitura não está sendo NADA do que eu estava imaginando inicialmente, e é uma mistura bem louca de uma década de 80 futurista com samurais e muitas drogas. Não é o tipo de leitura que cabe a todo leitor - isso posso afirmar com certeza -, mas acho que quem está preparado para uma leitura mais adulta e crua, essa é uma boa pedida. Ou ao menos tem sido para mim.

4 comentários :

  1. Oi querida,
    Então, muito bom ver esse texto por aqui. Ficção científica é meu gênero favorito entre todos, e é muito legal ver essa experiência e contato inicial de outras pessoas.
    Embora eu leia de tudo e respeite muito todos os gêneros, a ficção científica é com certeza o que mais me dá tesão. Acho incrível como nossa verve consegue criar mundos alternativos com base no nosso e que muitas vezes requerem muita abstração do autor e do leitor daquilo que já conhecemos, como a ficção científica conseguiu e consegue traçar linhas fictícias para um futuro que em determinado momento vamos encontrar como uma realidade, vide as obras de Philip K. Dick e Isaac Asimov, por exemplo, que em vários momentos conseguiram descrever tecnologias e acontecimentos que estamos vivendo hoje, muito antes de elas sequer existirem ou serem possíveis.
    A propósito, esses dois autores são nomes que acho que você ia gostar muito de ler, assim como Arthur C. Clarke.
    Beijão
    Ademar Júnior
    Blog Cooltural

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  2. Oieee!

    Esse gênero está suuper em alta e eu gosto de ler!
    Excelente dicas de livros! :)

    Beijos!
    Participe do "Carnaval com Livros" no Irmãos Livreiros

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  3. Oie Ninha, tudo bem?
    Uau, há quanto tempo, hein? Estava com saudades kkkkk
    Esse ano pretendo me dedicar mais ao blog

    beijokas :*
    Oi, tudo bem? Preciso saber se vc vai participar do video de 2 anos do pipocando pra eu ja ir separando o que cada um vai falar

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  4. Ops, ignora essa ultima parte do comentário hahaha.

    Blog da Mylloka
    http://myllokasecret.blogspot.com.br/

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