Resenha | Dizem por aí... (Jill Mansell)

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Já tinha bastante tempo que não lia um chick-lit, e Dizem por aí… é uma leitura antiga que tentei fazer algumas vezes e falhei na missão. Mas dessa vez eu estava decidida - terminaria! E terminei. Graças aos deuses e minha persistência, terminei.

Veja bem. Não é que o livro seja ruim nem nada do tipo. A leitura foi bem rápida e em uns 4 dias eu tinha virado a última das 400 e tantas páginas do livro. Portanto, com certeza não dá pra meter o livro na categoria “ruim”. Só que senti falta de algumas coisas durante a história, e mesmo com um número de páginas considerável, achei que o desenvolvimento do casal principal foi bem falho, tipo um filme com péssimos atores que não passa ao público um sentimento real. Mas vamos do começo.

Tilly é nossa típica protagonista de chick-lit: engraçada, determina, “mulher real”. E o mais importante: não quer virar uma solteirona. Ela e o namorado acabaram de terminar o relacionamento e Tilly se vê entre a cruz e a espada, afinal, ela queria mesmo que aquele relacionamento terminasse mas, como os dois moravam juntos, ela agora estava oficialmente uma quase “sem-teto”. Ela era incapaz de pagar sozinha a casa que os dois alugaram e, ao mesmo tempo, ela não sentia mesmo vontade de continuar naquele lugar. Desorientada, ela vai buscar consolo nos braços de Erin, sua melhor amiga que mora numa minuscula cidade britânica… O resultado dessa visita que deveria ser breve muda sua vida, dali pra frente.

"GAROTA FAZ-TUDO, EMPREGO DIVERTIDO EM CASA DE CAMPO, 200 libras por semana."

Devo dizer que Tilly é a criatura mais impulsiva que já vi, ouvi e li na face da Terra - e logo me identifiquei com ela por isso, veja só! Acontece que ela é do tipo que nunca iria morar numa cidade pequena como Cotswolds e há algo na vida da grande cidade, desde seu ritmo até seu relógio acelerado, que agradava a jovem moça. Por isso mesmo, a visita que ela fez a amiga pretendia ser breve… Mas só os deuses olimpianos podem explicar porque Tilly decidiu procurar emprego na cidade e, ao invés de pegar o trem que a levava de volta pra Londres, ela correu pra participar de uma entrevista de emprego. Conseguiu. Agora ela oficialmente era faz-tudo de Max, um quarentão gay solteiro, e babá da Lou, filha do cara.

Mas como um bom romance não se faz com uma mulher sozinha, logo somos apresentadas a Jack Lucas, a fonte de problemas da protagonista. O cara é “O” cara de Cotswolds, parece que ele passa perfume com feromônios pra atiçar todas as fêmeas da cidade, e, na mesma proporção, é conhecido por ser um pegador inveterado. Todos avisam a Tilly pra ela se manter longe, mas sabemos que isso não vai acontecer. Os dois se metem num bolo de gato doido,e rola todo aquele drama de sempre com direito a “não vou ficar com ele, ele não quer nada comigo” enquanto já está nos braços de Jack. Olha. Nada contra um draminha ou outro em romances, já que é disso que eles se alimentam, mas vamos convir que os vinte e tantos anos de Tilly deveria ter dado a ela um pouco mais de maturidade. Essa indecisão constante seguida de perto por um comportamento quase bipolar me irritou. Me irritou MUITO.

"Ele prefere se manter afastado de relações sérias e continuar solteiro, para não se machucar de novo. E isso - concluiu Max - é o que torna Jack irresistível."

Mas não o bastante. A leitura continuou fluindo apesar de vez ou outra eu querer socar a Tilly ou o Jack, e houve cenas que achei bonitinha entre os dois. Mas quando a história dos dois começa a sair do ponto zero - o que eu achei que demorou -, a autora deu a louca. Várias histórias paralelas bizarras e muito rápidas começaram a surgir, e Tilly e Jack foram ficando mais no segundo plano enquanto os capítulos intercalavam as histórias de Max, Erin, Kaye - ex-esposa de Max, quando ele ainda tentava ser hétero - e até a ex-esposa do atual namorado de Erin acaba ganhando destaque na história! É um bolo de gato muito inesperado e sem fim! Não estou criticando que a autora tenha procurado movimentar a história… Mas, na moral, algumas coisas aconteceram tão inesperadamente e depressa que não só não me convenceram, como também me deram uma vontade louca de pular esses capítulos para voltar a história principal.

O bacana é que a autora tentou discutir diversos assuntos, como homofobia, por exemplo. Lou sofre com bullying na escola por ter um pai gay, e alguns capitulos são gastos até que o próprio Max resolve a situação de modo inusitado. Isso achei bem legal. Mas ai do nada Kaye, a mãe de Lou, reaparece. Ela atua como atriz nos Estados Unidos, e surge um escandâlo com o nome dela por ela ter atropelado o cachorro de uma outra atriz sem querer (?). E sabe a ex-esposa do namorado de Erin? Pois então, ela é uma psicótica que persegue o relacionamento dos dois e de repente… Bem, é melhor não contar isso. Só quero dizer que: a autora começa a interligar personagens demais, criar histórias secundárias demais, e você sente que tudo está virando uma montanha russa sem fim.

Não dava para esperar outra coisa. As últimas páginas do livro foram corridas pra resolver todos os problemas que a autora criou durante a trama, e muitas das soluções foram bem do nada, irreais e jogadas na história só pra conseguir terminar o livro de vez. Sinto que o relacionamento de Tilly e Jack por si só já teria rendido uma história interessante, se bem dirigida, e que todos esses atalhos que a autora criou pra movimentar a história tiraram a essência do livro. Resumo da ópera: esforço desnecessário.

Mas no fim, é aquela história de sempre. Para quem curte um chick-lit cheio de situações cômicas, Dizem por aí… cumpre seu papel. Além disso, passeando pelas resenhas do livro no Skoob, você vai ver bastantes elogios sobre o que eu já disse, desde os personagens inesperados até a comicidade da protagonista, tudo isso agradou a maioria das pessoas. Se você está disposta(o) a fechar os olhos para a correria da história ou o amontoado quase esquizofrênico de histórias, o livro pode render uma leitura confortável. Uma coisa é certa: pelo menos a leitura é bem rápida e ri em algumas cenas. Dos males, o menor.

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Autora: Jill Mansell
Editora Novo Conceito
Ano 2012
432 páginas
Skoob 
Nota 7/10 | 3 de 5 estrelas
Sinopse: O namorado de Tilly Cole acaba de se mudar do flat deles com metade de suas coisas. Sem nada para prendê-la, Tilly decide rapidamente morar mais perto de sua melhor amiga, Erin, em um vilarejo minúsculo em Cotswolds. Lá, Tilly é contratada no mesmo momento como faz-tudo em uma empresa de design de interiores. Para sua surpresa, a cidade pequena transborda escândalo, sexo, fofoqueiros e boatos, focados basicamente em Jack Lucas, o homem lindo de muita classe e melhor amigo de seu chefe. Todos falam para Tilly ignorar o encanto por Jack, que ela será apenas outra em sua cama se ela se deixar levar; mas Tilly, que trabalha ao lado de Jack, enxerga uma parte carinhosa e cuidadosa dele que não é revelada à cidade. É impossível que ele seja a mesma pessoa de quem todos falam. Ou é possível? Tilly deve separar os fatos da ficção e seguir seu instinto neste divertido romance moderno.

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