Por trás do livro | Ana Lúcia Merege e seu universo

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Autora indicada para: 
+ Quem curte uma boa fantasia
+ Quem ama protagonista feminina forte
+ Interessados na cultura celta e nórdica

Alguns escritores descobrem seu dom bem mais tarde em sua vida, mas esse não foi o caso de Ana Lúcia Merege, autora da série de fantasia formada pelos livros O Castelo das Águias (2011) e A Ilha dos Ossos (2014), que diz desde criança produzir desenhos com longas legendasexplicando a história. Carioca aquariana, cresceu numa família de leitores e seu fascínio por história começou cedo, acompanhada por uma vontade de ser arqueóloga, de acordo com Ana. Arqueóloga de profissão ela não é, mas sua função de "bibliotecária, escritora e contadora de história" tem um quê de arqueologia mesmo, afinal, o que é um escritor senão um pesquisador ansioso pra contar ao mundo suas descobertas - sejam elas nesse mundo ou não?

Sua paixão por história Antiga e Medieval é visível em seus livros, que misturam cenários celtas e nórdicos com personagens únicos e cativantes. De onde vem a inspiração para, além de seus livros, os muitos contos que vieram em seguida? De tudo. Cotidiano, filmes, livros, mas, principalmente, pessoas. Pessoas são o que movimenta toda a história criada pela autora. "Tenho um lado introspectivo, como a maioria dos escritores, mas, para dizer algo que faça sentido para o leitor, também preciso de contato frequente, no campo das ideias e nos das emoções", explica Ana, com seu jeito sempre direto de contar desde sua história de vida até as vidas que ela abraçou em ficção.

Curiosidades: 

+ Ana adora viajar para destinos culturais ou ecoturísticos
+ Alguns lugares de Athelgard  foram inspiradas em locais do "mundo real"
+ O Caçador, primeiro livro da autora, saiu em 2005
+ A autora mantêm um blog, o A Estante Mágina de Ana

Livros que serviram de inspiração: 

+ As Brumas de Avalon é apontado pela autora como uma das leituras que fizeram o interesse dela por fantasia despertar
+ O Senhor dos Anéis e A História sem Fim foram outros desses livros
+ Harriet the Spy, A Lua de Rena e Ana Terra foram livros que, de acordo com a autora, realmente inspiraram para criar o universo de O Castelo das Águias e A Ilha dos Ossos

Processo criativo e novos livros: 

1- A história de sua série (O castelo das Águias e Ilha dos Ossos) tem como base a mitologia celta. Ainda assim, fico curiosa. De onde vem a inspiração para os lugares, desde suas regiões até o seu mapa? Tem como base cidades, lugares ou até vilarejos reais do nosso mundo? 
R. Na verdade, enquanto o cenário da região onde se passam os livros (as Terras Férteis) se inspira muito na cultura céltica, a mitologia-base de Athelgard como um todo é a nórdica, Mas o cenário escandinavo inspirou mais outra região, as Terras Geladas (que aparecem no livro O Tesouro dos Mares Gelados), enquanto os países eslavos e a península ibérica pós-reconquista cristã são inspirações, respectivamente, para o Oeste e o Leste de Athelgard. Dentro desse contexto há algumas referências a cidades e lugares do nosso mundo: o Castelo das Águias foi inspirado em Carcassone, o Labirinto de Pwilrie, no Bairro Alto de Lisboa e o nome Vrindavahn (cidade onde está o Castelo) vem da mitologia hindu. Eu meio que faço um entrelaçamento de referências que varia de região para região e introduzo alguns anacronismos numa base temporal que seria a Idade Média perto da Renascença.


2- Uma coisa que achei muito bacana foi como os dois primeiros livros de sua série teve sua narrativa construída. De onde partiu a escolha de cada livro ter como foco um dos personagens? É necessário que você entre bastante na mente do personagem, conheça ele com muita propriedade, para conseguir narrar dessa forma. Teve alguma dificuldade nesse sentido?  R. Não. Foi uma coisa totalmente instintiva, veio mesmo da necessidade de fazer o Kieran falar por si mesmo e não através da percepção da Anna, que aliás era muito influenciada, no livro 1, pelo amor que ela sentia por ele. Acho que consigo dar vozes diferentes aos dois.


3- Em outras entrevistas, você afirmou que Athelgard é uma aliança de várias histórias suas, que antes estavam separadas e você resolveu unir os personagens. Não à toa, sua história é muito completa, levando em consideração o cenário e os personagens. Há alguma dificuldade nesse processo de unificar histórias? 
R. As primeiras interações entre personagens já criados não apresentam problemas, mas às vezes um deles tem suas características aprofundadas ou um novo aspecto desenvolvido para funcionar melhor numa nova história.
"Espero ano que vem poder apresentar 'A Fonte  âmbar', terceiro livro da série iniciada com o Castelo"

4- Como funciona seu processo criativo, desde a produção de personagens e cenários até o ato de transformar em uma história? 
R. A "base" de um personagem costuma surgir espontaneamente. A aparência física, as roupas, as principais características e funções dentro da história. Depois surgem outras coisas conforme a história vai crescendo. Eu presto atenção principalmente na coerência com a qual o personagem age, pensa e dialoga e tento dar a ele um jeito próprio. Quanto aos cenários, tenho bem mais dificuldade, geralmente preciso pesquisar textos e imagens de referência para descrever melhor os ambientes tanto externos quanto externos, talvez porque, justamente, sejam os personagens que me interessem mais.


5- Althegard já tem uma vasta gama de histórias sobre, já que você se empenhou em muitos contos. Podemos esperar mais algum livro da série daqui para os próximos anos? 
R. Claro! Espero ano que vem poder apresentar "A Fonte  âmbar", terceiro livro da série iniciada com o Castelo, e quem sabe mais um infantojuvenil no estilo de "Anna e a Trilha Secreta", mas com outro personagem como protagonista. E fora isso vai haver muitos contos em e-book, no blog do Castelo e talvez em mais uma ou duas coletâneas da Editora Draco.

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