Resenha | Menina Veneno (Mariana Ribeiro)

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Saudações!
                Essa pode acabar sendo mais uma daquelas resenhas sentimentais, por estar escrevendo logo após a leitura. Mas e dai?  Há algo de realmente belo nos livros, e na forma como nos apegamos à eles, e talvez essa resenha tenha ainda um pouco desse meu sentimento.

A década de 80 tem algo que nenhuma outra década tem. Eu e Mariana Ribeiro, a autora de Menina Veneno, sabemos disso. Como a própria autora fala em sua nota, no fim do livro: essa é uma obra pra quem ama essa década, e deixará qualquer um nostálgico, tendo vivido – ou não – aqueles anos de brilho do rock nacional e de grandes fatos mundiais historicamente marcantes.  Mas, apesar do seu objetivo claro enquanto obra, o livro não é um simples relator da história, e mistura ficção e realidade num enredo digno de ficção cientifica.


                Nossa Menina Veneno é a jovem estudante de jornalismo Audrey Mantovani, que sonha em seguir a carreira do pai e ser diplomata. Além de venenosa, Audrey é uma verdadeira garota prodígio e não deixa que falem por ela nem possui papas na língua, o que rendeu, é claro, seu apelido mais conhecido inspirado na canção Menina Venena, hit dos anos 80. Porém, ela tem algo que a torna ainda mais incomum e determinada: desde muito nova, ela possui sonhos premonitórios, que podem apresentar avanços importantes para a sociedade em vários setores, como a chegada do homem à lua, ou desastres do mesmo nível de importância.  E esse será o ponto chave de todo enredo, que terá em sua essência quase um registro histórico – e muito detalhado – daquela época. Os eventos mais importantes, as músicas que mais marcaram, o inicio de bandas importantes, como Aborto Elétrico e outras, são a base que fizeram essa obra tão maravilhosa para mim. Mas tudo não se resume a isso.

                A história gira ao redor desses sonhos e premonições que Audrey possui. Acompanhamos, enquanto isso, sua formatura, como seus relacionamentos evoluem e, claro, suas diversas tentativas de impedir as grandes catástrofes da década de 80 que, em seus sonhos, ela previu. Fora isso, acompanhar o dia-a-dia de Audrey é acompanhar com detalhes o que se via naquela época... Para pessoas que, como eu, não viveram a década, o livro é uma boa forma de entender o contexto no qual o Brasil e o mundo estavam inseridos tanto culturalmente quanto politicamente.

                Apesar disso, a leitura poderá parecer lenta para alguns. Não exatamente por ser ruim, mas por faltar um motivo mais forte que ligasse todos os ocorridos na década. Não é um livro com um grande ápice no meio ou no fim, mas cheio de “pequenos ápices” aqui e ali, toda vez que Audrey sonhava com alguma coisa. O que eu quero dizer, é:  a depender de como a pessoa se sinta ligada com a década de 80 – algumas a amam, outras, já não possuem tanto interesse – a leitura parecerá mais ou menos agradável. Talvez eu tenha sentido um pouco de falta de um motivo mais “forte” para o livro, algo que desse uma grande guinada e fizesse a leitura correr mais ainda.

                A autora discutiu alguns temas legais durante a história, como a AIDS, que, até então, era uma doença que gerava bastante preconceito e da qual as pessoas não tinham muita informação. É interessante ver o que o conhecimento – ou a falta dele – leva a pessoa fazer. E discutir esse tema trazendo personagens da própria narrativa pra viver na pele o problema é uma forma de fazer com que o leitor se afeiçoe mais a personagens secundários, que nem sempre ganham muita importância nos enredos. Aliás, os personagens – a maioria deles – foram construídos de forma legal. Alguns eu acho que ficaram caricatos demais e um tanto irreais, assim como alguns diálogos... Digamos que tenham soado artificiais. Essa não foi uma característica geral para todos os personagens, mas algo que dá pra notar em alguns indivíduos do livro e nos diálogos entre eles.


                Afinal, já que essa resenha está ficando enorme, eu gostei do livro, como uma boa fã da década de 80 e de história. Não sei se seria uma leitura que todos amariam, mas o livro flui bem e tem atrativos principalmente para quem gosta bastante de música da década de 80! A Mariana Ribeiro reuniu músicas maravilhosas! Aos amantes dos anos 80 como eu, se joguem que a leitura será maravilhosa!

Autora: Mariana RibeiroEdição Independente (Amazon)
350 páginas
SkoobNota 4/5 estrelas | 8.5Sinopse: Audrey Mantovani tem dezessete anos, é filha de um diplomata e estudante de Jornalismo, que adquiriu vasta bagagem cultural em suas viagens ao exterior na companhia do namorado, Frederico Fernandes. Ela seria apenas mais uma adolescente normal vivendo nos anos oitenta, não fosse pelo fato de ter um dom premonitório através dos sonhos, os quais estão relacionados a grandes acontecimentos com repercussão mundial. Decidida a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para mudar o rumo dos acontecimentos, ela passará por cidades como Nova York e Londres.
Como Audrey lidará com a responsabilidade de prever certos eventos futuros? Por quanto tempo ela conseguirá manter o seu segredo preservado da mídia mundial? E quais serão as consequências ao interferir no destino?
Menina Veneno é um New Adult contemporâneo, que envolve problemas cotidianos com uma dose extra de sobrenatural. Não faltam referências sobre música, filmes, entre outros assuntos relacionados à cultura da década perdida.

2 comentários :

  1. Olá, Nai!!
    Apreciei bastante o seu ponto de vista a respeito do livro. Algumas pessoas realmente notaram que o livro não flui muito no início, mas fico feliz em saber que o saldo foi positivo no final das contas. Muito obrigada por ter se disponibilizado a ler e resenhar MV no blog!
    Concordo plenamente com tudo o que disse. Fiz o livro especialmente para as pessoas, que assim como eu e você, gosta de tudo o que é referente aos anos 80. <3
    Bjos.

    Mariana Ribeiro.

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  2. Estou quase terminando de ler, e o gostei bastante do tempo em que ele se passa. Mas estou achando ele sem ação, e com diálogos um pouco irreais e forçados. Mas vamos ver o que me aguarda no final, rs.
    Bjos

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