Resenha | A Escolha do Coração (Amanda Brooke)

Um comentário
Saudações!
Essa resenha deveria ter saído há duas semanas atrás, quando terminei de ler o livro. Porém, estou sem palavras - algo meio incomum em uma pessoa de dedos nervosos como os meus. O caso é: o que falar desse livro? Díficil dizer, ainda mais escrever.

Autora: Amanda Brooke
Editora Novo Conceito
336 páginas
Nota 7  |  3/5 estrelas

Sinopse: Recém-casados, Holly e Tom se mudam para uma casa grande e confortável, onde ela espera esquecer de vez os fantasmas de sua infância problemática. O destino, contudo, lhe preparou uma surpresa, que se revela depois que Holly encontra um relógio lunar enterrado no jardim. O relógio oferece a imagem de um futuro que é ao mesmo tempo animador e preocupante: a visão de um lindo bebê nos braços de Tom... mas Holly, estranhamente, não aparece na visão. Em pânico diante da previsão, ela teme que um dia precise fazer uma escolha terrível: dar um filho ao marido, sacrificando sua própria vida... ou salvar-se e se esquecer para sempre da filha não nascida – a quem Holly já aprendeu a amar. 


A Escolha do Coração, lançamento de abril da Novo Conceito, não seria uma das minhas primeiras leituras. Com um enredo mais ou menos, e uma capa que inicialmente não me dizia muito, pensei que Amanda Brooke faria apenas mais um livro dramático, sem o devido drama. Acertei. Mas, por favor, não entenda minhas palavras como um “Ai que livro ruim”. O livro, seu drama e seu enredo são bem mais ou menos - sem ser mais algo que nada. Apenas isso.


A história começa no aparente final de todo livro de romance clichê. Sim, isso mesmo que você leu. Holly, a protagonista, acabou de comprar a sua casa dos sonhos, tem seu emprego dos sonhos e casou com o cara dos sonhos... Ou mais ou menos isso. Digamos apenas que ela seja bastante feliz. O final perfeito para um bom livro de romance. No entanto, a jovem artista plástica, de mente curiosa e descrente em misticismo, encontra um relógio lunar desmontado em seu novo jardim, que até então estava com aparência de abandonado. A casa que eles compraram em si, no meio de uma pequena cidade de clima pastoril, estava abandonada há alguns meses e o jardim era um dos lugares que mais precisava de uma reforma. Não foi tão surpreendente assim encontrar peças - que poderiam muito bem receber o nome de lixo - de um relógio antigo, que Holly montou pacientemente no meio do jardim. A coisa tomou outro rumo, de fato, quando, numa noite de lua cheia, Holly teve uma experiência um tanto... estranha... após tocar o relógio lunar. 


Para ser direta, ela viajou no tempo. Há exatos 18 meses à frente da data em que está. E descobre que, daqui a 18 meses, estará morta. E terá deixado uma filha, para que seu marido, o Tom, cuide naquela imensa casa. Holly ficou arrasada, confusa e impressionada, tudo ao mesmo tempo. Ao voltar de sua breve viagem no tempo, que apenas levou seu espirito para meses a frente e mostrou o que os dias vindouros reservavam, a jovem artista tentou se convencer de que tudo não passara de uma alucinação - uma bem real. Até que, sim, em outra noite de lua cheia, a viagem aconteceu de novo.

"Como um toque no espelho d'água, nenhuma marca é deixada, como a gota de chuva na vidraça nem sempre escolhe a jornada".

Esse não é um livro sobre uma mulher que tenta de todo modo mudar seu futuro para não morre. Essa é uma história sobre uma mulher atormentada, que jurara anos antes nunca ter um filho por causa de sua infância solitária e sem pais, mas que agora vê que sua morte será provocada justamente por uma gravidez. No ínicio, a decisão parecia ser apenas uma: não engravidar. Isso evitaria sua morte, certo? O problema é que outras viagens no tempo aconteceram, e a cada vez que Holly olhava para sua pequenina filha, ainda bebê, ela a amava um pouco mais. O desejo de ser mãe foi se infiltrando em seu coração, que lutava contra esse desejo toda vez que via seu marido, Tom, arrasado nessas viagens do tempo. Esse é um drama, principalmente, psicológico, uma tortura mental para saber o que é certo ou errado, quando o místico escolhe te mostrar sua própria morte.


Nesse trajeto, Holly faz bastante amigos na pequena cidade. Uma delas é Jocelyn, para a qual Holly decidiu que abriria seu coração. Ao saber de toda história das viagens no tempo, Jocelyn, ao contrário do que Holly pensaria, apoiou a menina a direcionar o pensamento para uma decisão: a certa. Mas será que existe mesmo o certo e errado, quando o que estamos levando em conta é a perda de vidas? Afinal, se Holly não engravidasse, a vida de sua pequena filha não seria gerada. Seria um tipo diferente de assassinato, e isso configurou um dos grandes dilemas do livro.

''Holly relembrou o momento em que olhara nos olhos de Libby e sentira uma conexão imediata. Seria assim o tão falado instinto maternal, ela se perguntou, ou estaria apenas desesperada para justificar a fé que Tom depositava nela?''

Por ter uma história tão intimista, o livro resumiu-se à Holly e Jocelyn, que esconde bastante segredos. O marido de Holly, por exemplo, é quase que apenas um acessório diante as páginas de sofrimento e tomadas de decisão da protagonista. O que percebemos é que sabe sobre sua morte, na verdade, é mais um castigo do que uma dádiva. O místico não se contenta com pouco, e sempre pede uma vida no lugar da que será tirada. Quantos de nós seria capaz de matar sem conviver com o remorso? A Escolha do Coração é um livro sobre a injustiça do conhecimento, o drama de ter em sua mente o peso não só das escolhas, mas também da morte.


Apesar dessa trama pouco comum, não me apaixonei perdidamente pelo livro. Há algo na narrativa que parece não casar bem... Se fosse algo ainda mais intimista, acredito que teria sido melhor. Holly também foi algo que prejudicou bastante minha leitura. Fraca e egoísta, a moça ainda decidiu ser bipolar, no meio para o fim do livro! Num momento dizia uma coisa, e dois parágrafos depois estava agindo do modo inverso. Isso poderia ser muita coisa, mas no contexto do livro só soou ser um erro de continuidade da personagem. 


"Bem, já disse o bastante. A vida é para viver, e você deve começar a viver cada dia como se fosse uma página em branco, embora, de vez em quando, talvez perceba um brilho eventual do sol de ontem".

A Escolha do Coração não é um livro que te fará chorar, ou amar, ou odiar perdidamente. Ele é como água morna, não incomoda nem gera sentimentos mais fortes. A única personagem que gerou em mim sentimentos de verdade foi a Jocelyn. Acredito que se o livro fosse com a história dela, e não com a de Holly, seria bem mais interessante. E essa é minha palavra final: num livro sobre decisões e emoções, faltou sentimento e dores de verdade.

Um comentário :

  1. Primeiro: amei sua resenha. Este livro nunca me chamaria a atenção, mas a premissa parece ser MUITO interessante. Amo coisas que refletem sobre a vida e sua efemeridade.

    Segundo: hora de colocar na meta de leitura do ano no Skoob.

    Clara - Blog Incantevole
    clarabeatrizsantos.blogspot.com
    @clarabsantos

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