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Resenha | Frankenstein (Mary Shelley)

sexta-feira, setembro 05, 2014 Naiane Aline 1 Comments Category : , , , ,

Saudações!

          Quanto tempo não trago uma resenha para vocês! Que vergonha, haha. Mas, bem, essa é uma resenha que deveria ter saído semana passada, quando terminei de ler o livro, mas somente agora tive tempo e força física pra escrever (faculdade + estágio = chegar em casa e dormir... ou não, haha). Quem já leu e também curtiu, deixa o comentário ai, viu? :) Vou retribuir. 


Autora: Mary Shelley
Editora Ediouro
122 páginas
Skoob
Nota 10
Sinopse: A princípio, tratava-se de um pequeno conto sobre um jovem estudante suíço que ambicionava criar um ser ideal, injetando vida a um corpo morto. Mais tarde, transformado em romance, tornou-se um marco na literatura do gênero. Frankenstein ou o Moderno Prometeu (Frankenstein; or the Modern Prometheus, no original em inglês), mais conhecido simplesmente por Frankenstein, é um romance de terror gótico com inspirações do movimento romântico, de autoria de Mary Shelley, escritora britânica nascida em Londres. O romance relata a história de Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais que constrói um monstro em seu laboratório. Mary Shelley escreveu a história quando tinha apenas 19 anos, entre 1816 e 1817, e a obra foi primeiramente publicada em 1818, sem crédito para a autora na primeira edição. Atualmente costuma-se considerar a versão revisada da terceira edição do livro, publicada em 1831, como a definitiva. O romance obteve grande sucesso e gerou todo um novo gênero de horror, tendo grande influência na literatura e cultura popular ocidental.




Há sortes e sortes, e a de Mary Shelley, talvez, tenha sido uma das melhores. Dois séculos atrás, numa sociedade machista como a nossa, uma jovem escritora produz um romance que, mesmo após 200 anos, faz todo sentido. Pessoas ainda o leem, o sentem. Já pararam para pensar nisso? Adentrar no universo proposto pela Mary não é difícil. Frankenstein faz quase um papel de análise do comportamento da sociedade, que, tantas gerações depois, ainda parece se comportar do mesmo jeito. 


Ah, a hipocrisia humana. Frankenstein, mais do que uma história de um monstro matando pessoas, é um livro que fala de hipocrisia e solidão. E, para inicio de conversa, Frankenstein não é o monstro, como muitos pensariam, a partir das histórias infantis que nos foram contadas. Victor Frankenstein é um jovem rapaz que desde muito cedo mostrou interesse no estudo das ciências. Muito curioso, estudou por conta própria teorias e mais teorias sobre ciência biológica, até que estava velho o suficiente para sair de casa rumo à universidade. 


O ambiente acadêmico foi o responsável pela sua mudança. Como o livro é contado como se Frankenstein estivesse conversando com um ouvinte, ele narra de forma detalhada como o seu campo de interesse passou de assuntos comuns, para um mais sórdido e cheio de nuances más: a vida. Não a vida simplesmente. Victor Frankenstein queria entender como um ser podia respirar, fazer digestão dos alimentos e tudo mais. Mais do que isso: ele queria ser capaz de dar vida a um ser, como um deus. E depois de anos de estudo, sim, ele conseguiu. Descobriu o mistério da vida e estava pronto a fazer seu próprio ser vivo, aquele que consideraria incorruptível e perfeito. A partir dessa descoberta, toda sua vida foi mudada. Dedicou mais anos a finco, sem descanso, na construção de seu ser vivo perfeito. E, para isso, os seus métodos não foram os mais honestos e bondosos: violou a vida e corpos de muitos animais, até que conseguiu criar um ser humanide gigante em proporções mas decepcionante em aparência.


Estava criado o monstro de Frankenstein. Aquele que ele achava que seria perfeito, mas não era. 


A criatura era tão feia e assustadora, que nem o próprio Frankenstein suportou ficar em sua presença. Mesmo sendo o criador do ser, ele fugiu e ficou aliviado quando descobriu que o monstro havia desaparecido. Mas pra onde ele teria ido? Frankenstein não pensou isso. Os anos de estudos tão sombrios, e a lembrança de tudo que fez para acabar construindo aquele ser horrendo em proporções e aparência, deixou o estudioso literalmente doente. E muita coisa rolou depois dai. Inclusive o assassinato do irmão mais novo de Frankenstein. E será que alguém ai consegue adivinhar quem matou a criança tão adorável que todos os Frankenstein tanto amavam? Sim, o mesmo. Ao que parecia, o “monstro” não desaparecera da vida do pobre Victor, como ele queria e imaginava. E essa história será muito mais longa e complexa do que ele, e o ouvinte (e nós, leitores) imaginam. 


O livro é razoavelmente curto, com suas 120 páginas, mas aborda muitas questões complexas. Tentarei não contar mais detalhes da história, já que acredito que a minha experiência como leitora foi boa na mesma proporção que surpreendente. Mas uma coisa é fato: abandonado por seu próprio criador e mal tratado por todo ser humano que ele ousou se aproximar, a criatura de Frankenstein aprendeu a viver em meio ao ódio, e reverteu isso em maldade. Ele próprio, quando aparece para contar tudo que viveu, aponta o dedo acusador nessa sociedade que se diz tão boa, mas não aceita os diferentes. Não só não aceita, como violenta, escarra na cara e age com ódio. Mesmo as melhores pessoas, diante dele, agiam como algozes cheios de ódio. Um contrasenso. Os humanos só são humanos para seus semelhantes? Essa foi a discussão nas entrelinhas da narrativa de Mary.


A autora foi simplesmente genial. Não só pela discussão que trouxe, tão atual depois de 200 anos, mas também pela forma como sua escrita enfia o leitor dentro da mente do pobre Frankenstein, que sofre tanto com todas suas escolhas. Em algumas partes do livro, o sofrimento é tão intenso que o leitor é impelido a tomar um pouco de ar. O livro tem muito sentimento, e o leitor consegue sentir tudo. Amor, ódio, pena e solidão, numa história de tragédia, acaso e morte. 


O livro é maravilhoso para quem gosta dessa pegada mais psicológica. Não é um tipo de leitura para todo leitor, já que Frankenstein tem um ritmo bem lento e puxado para o drama. Ou seja, é um terror, mas um terror puramente psicológico. Não há muita ação, embora eu não tenha considerado isso um ponto negativo. Como eu disse, curti muito as discussões trazidas pela autora, e recomendo bastante o livro para quem curte algo semelhante. 

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1 viciados comentaram

  1. É engraçado que eu tenha assistido praticamente todas as versões feitas para o cinema de Frankenstein mas nunca tenha lido a história original ^^
    Bj, Aris.
    http://arismeire.blogspot.com.br/

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