Resenha | A filha do Louco (Megan Shepherd)

5 comentários
Saudações!
          Gente, alguém me explica que fenômeno sobrenatural é esse? Há meses que não leio um livro realmente ruim, que não tenha me agradado... Estou estranhando essa minha longa sequência de leituras quase perfeitas! Hahaha. Desculpem se a resenha saiu grande... Me empolguei e muito falando do livro! <3


Autora: Megan Shepherd
Série Filha do Louco - livro 01
Editora Novo Conceito
Nota 9.5
Sinopse: Juliet Moreau construiu sua vida em Londres trabalhando como arrumadeira - e tentando se esquecer do escândalo que arruinou sua reputação e a de sua mãe, afinal ninguém conseguira provar que seu pai, o Dr. Moreau, fora realmente o autor daquelas sinistras experiências envolvendo seres humanos e animais. De qualquer forma, seu pai e sua mãe estavam mortos agora, portanto, os boatos e as intrigas da sociedade londrina não poderiam mais afetá- la... Mas, então, ela descobre que o Dr. Moreau continua vivo, exilado em uma remota ilha tropical e, provavelmente, fazendo suas trágicas experiências. Acompanhada por Montgomery, o belo e jovem assistente do cirurgião, e Edward, um enigmático náufrago, Juliet viaja até a ilha para descobrir até onde são verdadeiras as acusações que apontam para sua família.
Virei a última página de A Filha do Louco e fiquei ali, sentada, olhando meio incerta para o livro. Eu estava sem fôlego, ansiando pela continuação que - espero eu - logo será publicada. E talvez isso soe meio - ou muito! - clichê, mas A Filha do Louco me surpreendeu. E esse sentimento parece ser compartilhado por todos aqueles que leram a obra. Alguém ai, afinal, não se surpreendeu com o desenvolvimento perfeitamente arquitetado que Megan Shepherd construiu? Por favor, alguém atire a primeira pedra.


       Juliet Moreau, filha de um grande cirurgião londrino, agora vive sozinha pelas ruas de uma bela Londres do séc.XIX. Ela ganha a vida trabalhando como arrumadeira de uma escola de medicina, onde muitos dos professores a conhecem por ser filha do grandioso e louco Dr.Moreau, banido da sociedade por causa de seus experimentos considerados cruéis e desumanos. Mas isso aconteceu quando Juliet era apenas uma menininha e, mesmo após tantos anos do desaparecimento do pai e da morte da mãe, ela ainda possui alguma esperança de que tudo não passou de um mal-entendido. Ela crê no pai. E quer, do fundo do coração, reencontrá-lo e ouvi-lo dizer que todos estavam errados e ele era inocente. Acho que, acima de qualquer coisa, ela não queria ser a filha do louco. No entanto, ela nunca acreditou que teria a chance de encontrar o pai, já que a história que circulava era que ele estava morto. Até que ela reencontrou Montgomery.


       Montgomery era um antigo criado e pupilo, por assim dizer, do Dr.Moreau. Juliet encontrou-o após achar uma folha com instruções da prática de vivissecção, com a letra de seu pai, o Dr.Moreau. Ao reencontrar Monstgomey, que, além de tudo, também era um antigo amigo de infância seu, ela também descobriu que seu pai está vivo - e muito vivo! -, morando numa ilha tropical e quase inabitada. Montomery estava ali somente para buscar suprimentos para mais 1 ou 2 anos e Juliet o convenceu à levá-la com ele na viagem até a ilha. Ela queria reencontrá-lo. Enfim, depois de tantos anos, encontraria o pai e teria a confirmação de que ele não era louco, apenas era o seu pai de sempre, calado e reservado. Mas será que ela acreditou mesmo, em algum momento, que aquilo que pensava era verdade? Ela acreditava mesmo que todos os boatos era falso e que seu pai, de hábitos tão estranhos, era inocente? 


        Muito inspirada pela sua admiração pelo H.G. Wells, não é muito difícil saber de onde a autora tirou essa ideia maluca que girou ao redor do louco doutor. Aos que já leram A Ilha do Doutor Moreau, do autor anteriormente citado, talvez A Filha do Louco não seja tão surpreendente como para aqueles que não leram - olha eu aqui! Fato é que a narrativa, mesmo em 1ª pessoa, é muito ampla e nos puxa para uma ilha de mistérios e insanidades, até o ponto que você não consegue mais largar o livro. A ilha é rodeada de mistérios, muitos deles tão sombrios que não vale a pena conhecer. No entanto, lentamente, Juliet e o leitor vão desvendando todos eles, ficando sem fôlego e temeroso. Em quem confiar? Na ilha em que o Dr.Moreau se fez um deus, nada é o que parece. Nem mesmo você mesma. 


         Acho que foi a primeira vez que eu realmente adorei uma protagonista feminina, mesmo o livro sendo em primeira pessoa. Ela em nada parece com as protagonistas comuns e tem um quê de louca e insana, nos piores sentidos das palavras. Ela está por um fio de sua sanidade, do início ao fim do livro, e isso deixa o leitor tão tenso quanto ela. 


         Palmas à Megan Shephard, que conseguiu fazer com que eu risse e tremesse com suas personagens, e me sentisse tão louca quanto todos eles. Afinal, quem ali, naquela ilha isolada, é normal? O triângulo amoroso que se forma entre Juliet, Montgomery e Edward, um naufrago que conheceram em sua viagem até a ilha, é apenas um apetrecho que a autora usa para mostrar o quão doentias são cada uma das personagens. Será mesmo que apenas o Dr.Moreau é louco? Naquela ilha em que a atividade vulcânica nunca cessa e os nativos parecem monstros meio-humanos meio-bichos, enlouquecer não é difícil. 


         Para quem gosta de um bom suspense, A Filha do Louco é leitura quase obrigatória. A autora escreve maravilhosamente bem e me pegou muito desprevenida. Juro que eu não esperava metade do que o livro foi, e, além de tudo, não sou uma leitora assídua de suspenses. Estou aguardando ansiosamente a continuação. Só posso terminar essa resenha com a mesma pergunta que fiz no início: alguém ai pode gritar ao mundo que não se surpreendeu com as reviravoltas malucas de A Filha do Louco? Alguém?

5 comentários :

  1. Que vontade de ler esse livro!
    Amei a sua resenha.

    :*

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  2. Eu quero ler!!! :/ Tenho muita vontade de ler A ilha do Dr. Moreau e saber que a filha do louco foi baseada nele aumentou e muito minha vontade de ler os dois! :D
    Letras & Versos

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  3. Ótima resenha, Arine-san \o/ Vontade de ler esse livro, adoro suspenses. Pela sua resenha, eu lembrei logo de Duma Key do Stephen King :33
    Kissus

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  4. Fiquei com muita vontade de ler. Acabou de entrar na minha lista no skoob.

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  5. Comprei este livro na Bienal e vou ler em breve. Que bom que ele é uma boa leitura.

    Beijos.

    http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

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