Resenha | Filha da Floresta (Juliet Marillier)

5 comentários
Autora: Juliet Marillier
Editora Butterfly
608 páginas
Nota 8
Sinopse: O domínio de Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e criaturas encantadas, além dos sábios druidas, que deslizam pelos bosques vestidos com seus longos mantos... Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era lei e a magia uma força da natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, o soturno Lorde Colum, e dos seus seis amados irmãos, vítimas de uma terrível maldição que somente Sorcha é capaz de quebrar. Em sua difícil tarefa, imposta pelos Seres da Floresta, a jovem se vê dividida entre o dever, que significa a quebra do encantamento que aprisiona seus irmãos, e um amor cada vez mais forte, e proibido, pelo guerreiro que lhe prometeu proteção.


A Filha da Floresta provou-se um livro com muito mais conteúdo do que imaginei, mas também pecou na falta de alguns pontos que tornariam a leitura, talvez, um pouco mais rápida. Pode ser que eu tenha sido a única a me incomodar com os devaneios da protagonista, que narra todos os estranhos acontecimentos que tomam sua infância e guiam seu futuro por caminhos dolorosos, confesso. Apesar disso, Filha da Floresta é um verdadeiro conto-de-fadas, cheio de dor e esperança de um merecido final feliz, sem bailes ou vestidos bonitos, apenas a magia de uma Irlanda que acredita em duendes e seres encantados. 

"As fábulas ajudam a atenuar a realidade, só isso. Mas cedo ou tarde temos de lidar com ela." pag.106

         Juliet Marillier se importou em trazer uma narrativa de cunho altamente histórico, mostrando algumas nuances do que era viver há séculos atrás numa Europa dominada pelos conflitos territoriais e de crenças. A partir dos olhos de uma garota de apenas 12 anos, a autora retrata a guerra e a intolerância cultural e religiosa. A família de Sorcha, a jovem menina, é abençoada pelos seres da floresta com estranhos dons e poderes, cada um à sua maneira. São ao total 7 filhos, 6 rapazes além da protagonista. Vivem em relativa paz em um local seguro das guerras, apesar de seu pai, o rei, insistir em continuar a participar de guerras fora de seu continente, tentando reconquistar ilhas de importância religiosa para seu povo.


         No entanto, esse ambiente de aparente paz se desfaz quando o pai dos jovens, que é viúvo, se apaixona perdidamente por uma mulher e se casa com ela... Olha ai a paixão cega causando estragos! Lady Oonagh é uma moça ardilosa e possui uma aura maligna ao seu redor, e joga uma maldição nos 6 irmãos enquanto planejava matar Sorcha... Todos seus irmãos foram transformados em cisnes, meros animais selvagens sem consciência humana, mas a garota mais nova conseguiu fugir - apesar de agora estar sozinha. 

"Tudo que restou para ele foram as lembranças de cada momento em que ela lhe pertenceu. Era tudo que ele tinha, e sem ela se sentiria sozinho."pag.545


         A história realmente começa quando os seres da floresta chegam à agora desesperada Sorcha e lhe contam que, para quebrar o feitiço maligno da Lady Oonagh, a menina teria que colher uma especifica planta cheia de espinhos e usá-la como material para fazer 6 camisas. Além disso, Sorcha não poderia falar uma palavra sequer, nenhum som poderia sair da sua boca até que todos seus irmãos fossem transformados de volta. Apesar da dificuldade da tarefa, que obviamente machuca e tornou a menina um ser recluso da sociedade, Sorcha resiste bravamente e continua sua missão faça frio ou sol, doa ou não. A maior prova de amor familiar, com certeza. 


           Outros personagens aparecem durante a difícil trajetória de Sorcha, dentre eles, inimigos de seu povo. Cada um tem um papel importante na construção do enredo e realmente influenciam em algum ponto da história, e alimentam o enredo com cenas de drama, amor, amizade e lealdade. Porém, essa dinamicidade no aparecimento de personagens diversificados não ajudou para que o ritmo do livro se tornasse mais rápido. A narrativa em 1ª pessoa é extremamente minuciosa e, por vezes, repetitiva, o que pode incomodar alguns leitores mais impacientes - como eu. E, apesar de ter gostado do romance entre Sorcha e seu guardião, esperava um pouco mais, assim como também estava aguardando mais cenas de aventura. 

"Não havia necessidade de palavras entre nós."

             O fato é que o livro é rico em história e cultura, mas com uma narrativa que não contribui tanto assim para uma leitura mais agradável. Ou talvez essa sensação tenha sido só minha, já que não consegui me identificar tanto com a protagonista. Por isso, ainda tenho esperanças de que o segundo livro da série, que possui história descontinuada desta, me traga surpresas positivas. E, se você está a fim de um drama fantasioso em uma Terra de séculos atrás, pode se jogar na leitura. Mas, se espera uma leitura com mais aventura e ação, como eu, recomendo cautela. Não queremos que você se decepcione, certo?

Nota: 8

5 comentários :

  1. Nunca tinha ouvido falar sobre esse livro, mas acabei me interessando por certos detalhes da estória. Parece ser um bom livro para se passar um tempo, com o estilo que eu mais gosto, seres 'fantásticos' , maldições e certos sacrifícios a serem feitos...
    O que não me agradou muito foi a maldição dos irmãos, achei que poderia ser melhor explorada esse lance de maldição, ser uma coisa bem diferente,porque transformar apenas em cisnes torna o contexto meio fraco, mas isso só dá pra ter certeza na leitura mesmo.

    Marcos Túlio - Teoria Literal

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  2. Essa é a segunda resenha que leio desse livro. E ambas disseram a mesma coisa, que era um conto de fadas muito bem escrito so que com uma narratic
    va meio lenta. Estou quase convencida de comprar e ler.
    acervo-de-livros.blogspot.com

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  3. Quero muito ler esse livro, acho essa capa simplesmente maravilhosa haha
    Beijos, Thaynara
    http://livroscombolinhos.blogspot.com/

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  4. Li este livro e estou começando a ler o segundo. Eu concordo em grande parte com o que disse, mas discordo principalmente em que a qualidade da história perca pontos pela lenta narrativa. Creio que os "devaneios" da protagonista servem justamente para o leitor entender a construção da personagem. Da mesma forma, o relato dos "fatos estranhos" de sua infância só reforça a descrição do ambiente e do povo que ali vivia e encarava a magia com naturalidade. Entendo que o ritmo da narrativa possa ser considerado lento pelos anseiam mais cenas de ação, mas pergunto: não seria essa a intenção da autora em transmitir ao leitor a sensação do lento e doloroso trabalho de Sorcha? Por fim, achei muito, mas muito lindo o romance de Sorcha e seu guardião. Um romance não precisa necessariamente de cenas ardentes, mas de sutilezas, da compreensão do amor mútuo nos mínimos detalhes e atitudes. E digo que as palavras do guerreiro ao contar sua história e como encontrou o amor, em forma de um conto, quase me fizeram chorar. Isso sim é um romance! Mas a resposta sensorial de cada leitor varia muito e como você bem disse, pode deixar a desejar para alguns que gostam de mais ação. Eu gostei muito, achei o livro muito rico e recomendo fortemente para os que gostam de histórias com dilemas humanos ambientados na fantasia, bem como explicou a autora no prefácio do livro.

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