Resenha | Butterfly (Kathryn Harvey)

4 comentários
Autora: Kathryn Harvey
Editora Universo dos Livros
520 páginas
Nota: 10 (+favorito)
Sinopse: No andar de cima de uma loja exclusivamente masculina na Rodeo Drive existe um clube privado chamado Butterfly, um espaço em que as mulheres são livres para expressar suas fantasias eróticas mais secretas. Somente as mulheres mais belas e poderosas de Beverly Hills são convidadas a entrar: Jessica, uma advogada que suspira pela época em que os homens eram machos e as mulheres satisfaziam seus prazeres; Trudie, uma construtora que quer um homem que a desafie, em todos os sentidos e sem tabus; e Linda, uma cirurgiã que usa máscaras para desmascarar os desejos que esconde até de si mesma. Contudo, a mais misteriosa de todas as mulheres é a que criou o Butterfly. Ela mudou o nome, o sotaque, até mesmo o rosto para esconder sua verdadeira identidade. E agora está prestes a revelar seu passado para concretizar a obsessão secreta que a levará além do êxtase...


Independente de você gostar ou não de Butterlfy, uma coisa é certa: ele irá te surpreender. E muito. Sendo o primeiro livro de uma trilogia, ele não deixa a desejar. A autora da obra, Kathryn Harvey, foi inteligente ao usar de um tema em alta e batido como o eroticismo para criar um enredo completamente novo e intrigante, que instiga o leitor numa história onde paixão, ódio e amor podem estar protagonizando ao mesmo tempo.  Pode ter certeza, essa resenha não será nada fácil de ser escrita. Afinal, não quero contar muito dessa história que tanto me surpreendeu... O que seria de Butterfly sem todas as suas surpresas?


Com várias personagens-chaves, Butterfly vai costurando sua história intercalando passado e presente. De inicio, você sente-se meio perdida, porquê, de fato, o livro não começa do “começo”.  Somente no decorrer das páginas as peças do quebra-cabeça vão se unindo e as misteriosas personagens centrais são desvendadas. E o estopim de tudo é há muito tempo atrás, ainda quando o mundo se recuperava do fim da 2ª guerra, em 1940. A partir daí, somos apresentados à jovem moça Rachel, uma menina ingênua e leitora voraz. Porém, não é somente a história dela que o livro contará. Também temos a Jéssica, Trudie e Linda, além da – mais misteriosa ainda – Beverly, todas nativas do nosso século. O interessante de Butterfly é ver como a história de todas essas personagens se unem num enredo só, interligadas por um ou outro motivo em comum, lentamente dando sentido à uma história de cunho e objetivo muito maior.


                Uma entidade maior que une tão perfeitamente a história de todas essas mulheres – e demais personagens de menor importância – é o Butterfly (não, não o livro Butterfly). Butterfly é um local secreto, digamos, que funciona fora-da-lei e é como um bordel masculino; um bordel onde o público principal são as ricas e discretas mulheres que moram nos arredores de Hollywood. Lá, as mulheres têm o direito de fantasiar com os homens da maneira que quiserem, seja fazer sexo selvagem num cenário de bar do velho-oeste ou ter uma discussão intelectual acalorada antes do sexo. Neste lugar, elas que mandam. Mas quem, e como, teve a ideia de criar um local como esse, que vai tanto contra as regras da sociedade? É isso que iremos descobrir, e veremos que toda essa história está marcada por um passado sombrio, onde a ingenuidade é roubada pela maldade de certas pessoas, e o ódio nasce e cresce como sendo um guia para a jovem menina Rachel, tantos anos atrás.


Ao mesmo tempo que acompanhamos o surgimento da Butterfly, também acompanhamos o drama das outras personagens: Jessica é dominada pelo marido, Linda tem sérios problemas com sexo e Trudie só deseja achar um homem que a trate e a enxergue como a um igual. Beverly é uma incógnita durante grande parte da história, reservada e obstinada em ajudar um reverendo famoso e muito adorado que participará da próxima eleição. Mas, creia, não é só isso. Sua verdadeira intenção em ajudar politicamente aquele homem vai se revelando no decorrer da história não só dela, mas de Rachel. O passado de Rachel vai iluminando parte do que Beverly quer, até que você veja sentido em tudo.


O ponto central do livro não é difícil de ser visualizado. Todas as mulheres que protagonizam a história são vitimas do machismo da sociedade e só querem algo mais igualitário e condizente com elas. O surgimento do Butterfly, a espécie de bordel, é mais como um grito da liberdade feminina, que deseja não ser tão oprimida sexualmente como ainda hoje o é. E outras questões ainda mais delicadas são tratadas, como a violência familiar, sujeira do jogo político e a própria prostituição. Dentro disso tudo, assuntos tão delicadamente costurados, ainda houve espaço para o desenrolar do romance e vida de todas as protagonistas, mostrando que o querer  e a luta resultam, sim, em felicidade.


Sem mais delongas, acredito que esta tenha sido minha melhor leitura do ano, até o momento. A autora soube desenvolver perfeitamente diversos assuntos num enredo inquietante e bem arquitetado. Nenhum detalhe do livro está ali em vão. Tudo tem um propósito; todas as personagens têm um propósito. Construir e ligar tão bem diferentes personagens não é fácil, mas Kathryn fez isso muito bem. Finalizo a resenha dizendo apenas uma coisa, que resume todo meu deslumbramento pela história: De onde diabos tiraram a sinopse desse livro?

4 comentários :

  1. Eu tinha visto o lançamento desse livro.
    Parece ótimo.
    Estou sorteando DEZ livros em ritmo de Halloween, você poderá levar todos para casa.
    Participe!
    M&N | Desbrava(dores) de Livros

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  2. Olá Arine!
    Essa é a primeira resenha que leio realmente positiva de Butterfly, rsrs.
    Mas confesso que me apaixonei! Estava me segurando para não comprar esse livro, por causa de tantas críticas... mas depois de sua resenha, pretendo comprá-lo em breve :)
    Ótima resenha!
    Beijos,
    Ana M.
    http://addictiononbooks.blogspot.com.br/

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  3. Nossa fiquei curiosa, ótima resenha! Arine convido para conhecer "Feitiço" livro vencedor do concurso "Do manuscrito ao livro" já publicado pela editora Novo Conceito.Espero que goste!
    Bjs
    Liza Jones
    http://lizajoneslivros.wix.com/lizajones
    http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

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  4. Comecei a ler esse livro meio que obrigada, por ser o livro do mês no TBR Jar de um grupo que participo. Ele me deu a ideia, pela capa e sinopse, de que seria uma hot total e eu não costumo gostar de hots.

    Qual não foi a minha surpresa ao ser apresentada a um livro com uma história envolvente e conteúdo para debate!!! Amei! A sinopse definitivamente não faz jus a ele, entretanto, e por isso também escrevi uma resenha no blog do conchego.

    Não, eu não errei o nome do blog...É Conchego mesmo... de acordo com o dicionário, conchego vem do verbo conchegar que é uma variação sinônima do verbo aconchegar. Logo, conchego=aconchego, mas sem o a.rs.

    http://conchegodasletras.blogspot.com.br/2015/04/resenha-butterfly.html

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