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Resenha | O Eterno Barnes (Salustiano Luiz)

terça-feira, abril 23, 2013 Naiane Aline 10 Comments Category : , , , ,


Saudações!
                Como têm passado o dia Mundial do Livro? Comprando e ganhando muitos queridinhos? Haha. Bem, fiquem com a minha resenha do livro O Eterno Barnes... Aguardo os comentários de vocês! \o

O Eterno BarnesAutor: Salustiano Luiz de Souza
Editora Novo Século
248 páginas
Sinopse: Doutor Barnes, um famoso neurocirurgião, começa a desenvolver na Universidade onde trabalha uma pesquisa científica tentando transformar os dados do cérebro em arquivos de dados, codificando-os de modo que possam ser copiados. Com o avanço da pesquisa, acaba conseguindo copiar para o computador todos os dados de memória que formam o ser humano, como suas experiências, suas emoções, suas recordações, enfim, sua vida. Deslumbrado com a descoberta, começa a perceber que estes arquivos possuem uma estrutura totalmente diferente e uma sinfonia divina, e começa a ficar obcecado pela ideia de que seja possível copiar cérebros de um paciente para outro. Ao contrário do que deveria ocorrer, Barnes, cada vez mais, esconde suas pesquisas, pois seu objetivo passa a ser implantar seu próprio cérebro em outro paciente, mais jovem e sadio, pois está acometido de uma séria doença. Busca, desta forma, alcançar a tão almejada eternidade. Para isto, não mede as consequências de seus atos, que passam a ser justificados pela ambição que lhe domina. Conseguirá Barnes o seu intento? 

O Eterno Barnes, escrito por punho brasileiro e com uma temática no mínimo incomum, surpreende bastante o leitor – mais pelo seu desfecho do que por outra coisa. O seu óbvio teor de ficção cientifica está compactado em menos de 300 páginas juntamente com questões filosóficas, que buscam, durante o enredo, nos fazer enxergar o certo e o errado de tudo aquilo... Apesar da obra não ser das mais geniais do gênero, sua história possui uma certa beleza e instiga a curiosidade do leitor. Sem contar que todos queremos saber o que acontece com o ousado Dr.Barnes e sua empreitada pela eternidade, certo?

Um dia todos morreremos com nossos conhecimentos e pensamentos[...]. Tudo isso se perderá para sempre. Mas não para o doutor Barnes.”

                O autor nos apresenta uma narrativa que busca ser a mais completa possível, enquanto a história vai sendo contada sob o ponto de vista de cada uma das diversas personagens. E tudo tem inicio com uma cena macabra num local vazio de um grande hospital, presenciada por uma funcionária do estabelecimento: em mesas cirúrgicas, dois corpos com as cabeças ligadas por fios a um notebook; numa das mesas, estava o próprio Dr.Barnes e, por cima dele, o corpo ensanguentado de uma médica. Aquele era o resultado da ganância, medo da morte e desejo extremo de viver do Dr.Barnes; sim, aquela ali era a cena do crime cometido por ele e para ele.

                Aos poucos, vamos acompanhando como e porquê Barnes fez o que fez. Diagnosticado com um câncer no estomago, o famoso e inteligente doutor se vê cada vez mais próximo da morte... e isso o assusta. Justificando suas ações como um “instinto de sobrevivência”, ele se joga em uma pesquisa que envolve transferir as memórias de um corpo para o outro, com o objetivo simples de tornar a vida eterna... Porém, ao conseguir copiar os dados de um cérebro e abri-los num computador, o homem tornou-se ainda mais fascinado por aquilo que pesquisava, e a melodia produzida pelos milhares de números que passavam pela tela do computador era viciante. Tanto para Barnes, quanto para todos que ouvissem. E ai começa o problema.

“Aqui o criador se transformaria na criatura e a criatura seria seu próprio criador, fundindo-se na sempre presente dicotomia vida-morte.”

                As outras personagens do livro que também entraram em contato com a pesquisa de Barnes e ouviram a música tocada por todos aqueles números, tornaram-se tão obcecadas e decididas a ter aquilo para si quanto o próprio Barnes. Aquela “música”, que Barnes descreve como sendo algo divino e desenhado pelas mãos de Deus, basicamente tirava de seus ouvintes qualquer escrúpulo. Barnes já não se importava de matar em favor de sua vida eterna e proteção de sua pesquisa, assim como outras pessoas acabaram adotando o mesmo comportamento durante a história. Se, inicialmente, imaginamos que o personagem principal é Barnes, perdemos essa ideia no meio do livro, quando tudo muda de figura. A partir do momento que o nosso doutor perde o controle de sua própria criação, as consequências atingem níveis catastróficos, terminando por chegar a um final inconcluso e que abre alas (apesar de pequenas) para uma continuação do livro.

                Apesar dessa história toda bem construída, senti que – de vez em quando – o enredo principal ficou meio que em segundo plano, devido às divagações e monólogos dos diversos personagens. Quando eu falei em “teor filosófico”, me referia exatamente a isso. Barnes e todos os outros personagens muitas vezes se embrenham em divagações sobre os mais diversos temas, como vida, morte, felicidade e amor. No entanto, senti que, ao mesmo tempo que a história ficava meio apagada durante essas reflexões, somente com elas o leitor poderia experimentar e entender todas as ideias do livro. Afinal, seria certo tirarmos a vida de alguém para termos a eternidade? Tentar controlar a vida e a morte é algo que está em nosso destino? O ser humano é mesmo somente um ser movido a instintos? Enquanto a leitura torna-se mais lenta e compassada por causa desse tipo de narrativa, ela também torna-se mais rica e completa para o leitor.

“Não somos meros arquivos, implantados em carcaças de músculos e ossos, que são programados para crescer, multiplicar e depois morrer?”


                Finalmente, devo dizer que gostei da leitura, apesar dela não estar entre as melhores. O autor soube construir uma história legal e inovadora, o que está em falta hoje em dia, e sinto que as próximas obras dele (se elas chegarem a ser escritas) serão ainda melhores. Salustiano ainda precisa desenvolver sua narrativa e escrita, mas está trilhando o caminho certo; principalmente se suas obras seguirem o mesmo rumo que esta primeira, o que irá agradar os fãs de sci-fy, rsrs. Recomendo o livro, mas não para todos. Se você gosta do gênero e curte obras de teor filosófico e reflexivo, O Eterno Barnes foi escrito pra você!

Nota:8.5
  

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10 viciados comentaram

  1. Temos bons autores no nosso país, mas as pessoas não valorizam.
    Eu devo confessar que ainda não conhecia nenhuma obra desse autor.
    Gostei da sua resenha, mas o enredo não me cativou.
    (:
    SUCESSO...!

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  2. Finalmente! Este livro foi escrito para mim. rs
    Eu adoro livros que envolvem filosofia e muita reflexão. Apesar da história ter parecido um tanto estranha, fiquei bem intrigada e animada. Pode não ser o melhor livro do universo, mas parece realmente inovador e interessante!
    Vou colocar na lista de leituras! Valeu pela dica.
    bjs

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  3. "Cena macabra."
    Já adorei!
    Eu quero bastantinho ler este livro, acho que ele deve ser bem legal por causa do enredo.

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  4. Barnes tem um cara de protagonista que vai ficar conosco por séculos, posso estar enganada, mas é essa a primeira impressão. Mas essa perca de foco no enredo que você comentou -e você não é a única - possivelmente vai me incomodar. Apesar dos pesares eu estou muito curiosa para conferir a estória e não vou me cansar enquanto não conseguir ter um exemplar em minhas mãos lido.

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  5. Achei a ideia principal desse livro muito massa. Essa questão de busca da eternidade, sem falar na digitalização do cérebro humano é super interessante. O que realmente me deixaria com um pé atrás em relação a esse livro é essa questão da narrativa ser um pouco filosófica. Dependendo da intensidade e quantidade de filosofia, poderia té passar, mas se for exagerado, já não vou gostar.

    @_Dom_Dom

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  6. Esse livro para mim tem um tema perturbador. Fantasia é aceitável para mim, mas se ocorrer distorção de moral não me agrada. Pode ser um livro bom, mas não gostei do tema.

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  7. Eu gostei da resenha, e da nota que você deu. Como eu disse antes, a princípio eu pensei que não fosse gostar do livro, mas eu vi umas duas resenhas bem legais, e gostei da sua opinião sobre o livro, quando tiver chance vou ler.

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  8. Apesar do enredo do livro ser bem diferente, acho que eu nao conseguiria ler ele por completo nao, por conta da 'coisa' da filosofia e tal.

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  9. O tema é muito interessante e eu estou doida para ler o livro.

    ;)

    http://pseudonimoliterario.blogspot.com.br/

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  10. Acho que O Eterno Barnes não foi escrito para mim! Gosto muito de uma ficção cientifica e fiquei muito curiosa sobre as consequências em níveis catastróficos que a criação do protagonista vai proporcionar, mas acredito que acabaria abandonando o livro por causa do seu teor filosófico =/

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