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[Resenha] O Cemitério de Praga (Umberto Eco)

segunda-feira, junho 25, 2012 Naiane Aline 3 Comments Category : , , , , ,


O Cemitério de Praga
Autor: Umberto Eco
Editora Gradiva
480 páginas


Sinopse:
Durante o século XIX, entre Turim, Palermo e Paris, encontramos uma satanista histérica, um abade que morre duas vezes, alguns cadáveres num esgoto parisiense, um garibaldino que se chamava Ippolito Nievo, desaparecido no mar nas proximidades do Stromboli, o falso bordereau de Dreyfus para a embaixada alemã, o aumento gradual daquela falsificação conhecida como Os Protocolos dos Sábios Anciãos de Sião, que inspirará a Hitler os campos de extermínio, jesuítas que tramam contra os maçons, maçons, carbonários e mazzinianos que estrangulam os padres com as suas próprias tripas, um Garibaldi artrítico com as pernas tortas, os planos dos serviços secretos piemonteses, franceses, prussianos e russos, os massacres numa Paris da Comuna em que se comem os ratos, golpes de punhal, horrendas e fétidas reuniões por parte de criminosos que entre os vapores do absinto planeiam explosões e revoltas de rua, barbas falsas, falsos notários, testamentos enganosos, irmandades diabólicas e missas negras.


Resenha:
Quem parou para ler a sinopse antes de começar a ler essa humilde resenha – de uma singela adolescente dada a escritora - perceberá que as próximas linhas poderão causar algum tipo de confusão e ter duplas opiniões sobre um mesmo fato. Não é proposital. Digo, porém, que o livro, justamente por sua grande confusão histórica, chega a ser genial... E você, menina(o) acostumada a ler Crepusculo e Diário de Vampiros ou ainda Percy Jackson, acho melhor passar bem longe desse titulo.

                Ganhei o livro de presente do meu melhor amigo. Confesso, à primeira vista, o meu maior interesse por lê-lo era por causa de sua evidente sinopse confusa. Quando comecei a ler, porém, não esperava que a história fosse tão complexo. Entretanto, o mais intrigante: a maioria dos fatos são verdadeiros, com personagens que realmente existiram, com exceção do principal. E é ai que nasce a genialidade de Umberto Eco, mais conhecido pela sua obra que virou filme (O Nome da Rosa).

Começamos o livro na pele de um certo Simonini, o personagem principal. Um belo dia, no final do século XIX, ele acordou sem saber muito bem quem era, cheio de dúvidas sobre o que fez ou deixou de fazer. Atormentando por diversos fatos estranhos que encontra em sua casa – como uma espécie de corredor subterrâneo cheio de perucas e disfarces -, ele resolve começar um diário onde ele começa a relembrar seu passado. O objetivo disso? Ora, ele utilizava a escrita como uma forma de hipnose, para ligar os fatos do passado e chegar ao por quê de haver tantos fatos estranhos rondando sua vida.

                É ai que a pessoa tem que ter muito sangue forte. Por isso digo: fãs de literatura mais fraca, como Crepusculo e etc, é melhor correr longe. No caso desse livro, só sobrevive quem é muito fã de história, e quem não se importa em parar de ler o livro para ir na internet se informar um pouco sobre a unificação italiana e sua situação antes da mesma. Cheio de ironia, Simonini nos conta sua infância, falando do ódio que seu avô nutria pelos judeus e como tudo se corria pela região onde ele nascera. Passamos por sua adolescência, e, por fim, descobrimos como ele chegou no estranho oficio de falsificador profissional de documentos (testamentos, ou qualquer coisa escrita). Ele é do tipo sarcástico e vigarista, que tem como objetivo simples se dar bem. E é com isso na cabeça que ele começa a participar de certas conspirações políticas, com revolucionários como Garibaldi. Após isso, muitas outras conspirações batem em sua porta, e ele participa com prazer – não por gostar de conspiração, mas por amar a vida boa que o dinheiro lhe dava. Ele trabalhou como agente duplo/triplo, participa de conspirações religiosas...

                Por isso mesmo, o livro é difícil de ser lido. Quando chega na pág.100 você já não sabe qual é mesmo o objetivo daquilo tudo, se perdendo nas memórias meio confusas do grande Simonini. Por sinal, você só vai entender o titulo do livro lá para a página 200 – ou seja, na metade do livro. O impressionante é que Simonini é uma espécie de conector de toda aquela confusão política que tomou a Itália na época; todos os conspiradores, tanto políticos quanto religiosos, foram conectados por esse simples personagem – cativante, apesar de vigarista de primeira. Simplesmente genial!

                O livro é perfeito para quem gosta de história, pois, creia, você se perderá nas lembranças do personagem... Já se você não for amante de história, passe longe; você achará o livro chato e sem sentido, e o personagem estranho – com aquela mania dele de só querer comer e ditar receitas, e odiar todo tipo de contato com mulheres.

Nota: 9.5
Ass.: Arine-san


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3 viciados comentaram

  1. Vou confessar a você que li a sinopse duas vezes e não entendi nada.
    E a resenha da "singela adolescente dada a escritora" foi bem mais esclarecedora...
    O que me chamou a atenção foi o fato de o livro
    tratar de acontecimentos reais e claro, o autor Umberto Eco. Tive a oportunidade de assistir a "O Nome da Rosa" no meu último ano no colégio durante
    uma aula de história. Se "O Cemitério de Praga" for tão bom quanto "O Nome da Rosa", vale à pena.

    Abraços!!!

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    Respostas
    1. Sim, sim, sinopse mais confusa que essa não há! Justamente pelo fato de que não focaram na historia do livro, e sim na história que rondou todo o livro. Sinceramente - apesar de só ter lido o livro justamente por essa confusão historica da sinopse - não gostei do que fizeram. Mas, enfim, né. Haha
      Não assisti nem li o livro O Nome da Rosa, mas O Cemitério de Praga (para quem gosta de história, como eu) é bom. ^^

      Obrigado pelo comentário ;3

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  2. O titulo ja me chamou atenção, com certeza vou gostar do livro. Histórias reais me fascinam,ainda mais essas histórias envolvendo todo esse preconceito, guerras entre povos e assassinatos.

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