Ao abrigo de seus braços (Jackie Braun)

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                                                    Ao Abrigo de seus Braços
Autora: Jackie Braun
Editora Harlequin, série Romance edição 16
218 páginas

Sinopse:


Abandonada quando criança, Roz Bennett nunca sentiu que pertencia a algum lugar. Justamente quando pensa estar sem sorte, sem dinheiro e com um carro quebrado no meio do nada, a sorte lhe sorri. Charmoso e impressionante, Mason Striker surge do nada e oferece um porto segro para Roz - cama confortável, comida deliciosa e um emprego. Além de tratar Roz como se ela fosse a mulher mais atraente e especial do mundo ! Pela primeira vez, Roz se sente amada, cuidada com carinho e muito desejada... Mas, se tudo está tão bem, por que uma voz dentro dela lhe diz que ela deve se proteger, caso dê tudo errado? Agora, Roz tem de enfrentar um grande desafio: lutar contra seu instinto e se permitir encontrar o verdadeiro amor!

Resenha:


Deus do céu, o livro me deixou sem palavras! Primeiramente, comecemos pela capa. Linda, linda, linda! Sem contar que, de todos romacnes de banca que já li, esse é o unico que possui uma capa em que as caracteristicas físicas dos personagens batem com as mostradas no livro - o que tem por ai de capas mostrando pessoas loiras, quando, no livro, elas possuem cabelos castanhos... Enfim, a capa tem, mesmo, super a ver com o contéudo da estória. E, se você prestar atenção, tem um farol ali, no final da imagem... Pois é, até ele tem um propósito, no livro.

        O livro, aliás, me lembrou muito aquele romance A Ladra e o Conde - se não me engano, é esse mesmo o título. A estória de ambos, pelo menos, é a mesma. Porém, uma diferença importante é que, A Ladra e o Conde  é um belo romance histórico, enquanto que Ao Abrigo de seus Braços é um romance contemporâneo. Não importa, ambos me fizeram ler o livro de uma "pegada só". Passei parte da manhã, até o meio da tarde, somente lendo, e lendo, até que, enfim, meus olhos pararam no último ponto final do livro! Não me arrependi.

        Roz não conhece nenhum tipo de amor, nem familiar, nem romantico, nem fraternal ou o que seja. Nada. Ela nunca fora amada. Aprendeu a sobreviver com o que tinha e lutar para, ao menos, ter o direito de respirar. Desde cedo, descobrira que era somente mais uma na lista incontável de crianças que foram abandonas, e, sabe muito bem, ninguém a quer. Foi assim que ela sempre viveu. Assim que, também, cresceu. Agora, ali, parada no acostamento de uma estrada vazia, com seu carro - que mais parecia uma alta velha - quebrado, sentia fome; e, mesmo assim, não estava desesperada. Ia encontrar uma solução - não era sempre assim? E foi, como se um anjo fosse mandado do céu, que um homem apareceu, com seu carro pronto para dar uma carona e um sorriso gentil no rosto. Depois de tantos anos, Roz não esperava - não mesmo - que alguém a notasse, não a ignorasse ou não a desprezasse pelo que ela vestia, e pelo que era. Ela andava pelo país, como uma intrusa em seu próprio meio, procurando um lar, quem sabe, com alguma sorte (que lhe faltava), uma família. E, de repente, aparece um cara, que, além de tudo, nota-a e quer ajudá-la.

        Oh, Deus, Roz é uma pessoa tão carente, que chega a dar pena! Sério, ela faz aquela pose de durona, e corta os cabelos em estilo quase masculino, mas, no fundo, o que ela quer é somente um pouco de carinho... O que me deixou, honestamente, com uma louca vontade de abraçá-la - apesar dela ser uma personagem de livro... é. Apesar disso, a personagem nunca - nunca! - deixa o clima pesado... ela não se considera a "coitadinha" da estória; muito pelo contrario, ela sabe muito bem o que é, e aceita à isso sem problemas algum. Seu único objetivo é garantir sua comida do dia e uma cama para dormir, à noite - sim, podemos resumir nisso.

        Mason, o cara que parou para ajudá-la, é um cara impossivelmente muito bom. Só Jesus Cristo o superou, em termos de bondade. Ofereceu à Roz, não só uma carona, mas cama, trabalho e comida - e carinho. Ele não se importava com o fato dela ser como era, mas sentia-se intrigado, logo quando a conheceu, por ela ser tão esquiva, tão na defensiva. Logo ele descobre que, na verdade, a menina fora abandonada pela mãe antes mesmo de ter idade o suficiente para estar numa escola, e que vivera de orfanato em orfanato, que passara fome, dificuldade e que malmente sabia ler, e isso deixa Mason compadecido; além de tudo, acho que ele sentiu-se impelido à protegê-la, à mostrá-la parte do universo que (cruelmente) o mundo lhe havia negado, mostrar aquela moça que havia um pouco de esperança, talvez. Isso tudo, apesar dele próprio ter prometido à si mesmo que não iria mais querer salvar ninguém, que não iria se envolver mais com esses assuntos. Essa sua antiga decisão estava iinterligada à um fato não muito distante em sua vida: ele levara um tiro no lugar de uma mulher que amara, quando ainda trabalhava como policial, e, em troca, ela o descartara.

        Ele pretendia cumprir a promessa, e assim o faria, se Roz, que ele - apesar de todos os protestos da garota - apelidara de Rose, não houvesse aparecido, com suas roupas velhas e seu estômago vazio.

        De verdade, Mason é um cara, assim como no livro A Ladra e o Conde, que considero impossivel de existir. Bondoso, ele, lentamente, ia transformando a vida de Roz... Ia mostrando à ela o amor, o carinho; mostrando como era sentir-se amada. Inicialmente, ele até relutará em concordar que estava amando novamente, mas, naturalmente, ele mesmo parou de se enganar e deixou-se amar. Sem dramas, como geralmente os romances de banca com esse teor, fazem. No livro, ainda, há outros personagens que até te fazem rir um pouco, como a irmã de Mason. Devo dizer, nunca vi uma mulher tão irritante e, ao mesmo tempo, adorável como ela! Mason quase enlouquece, com as intromissões de sua irmã (rs). Já Roz, começa a entender como é ser amada por uma família, e, aos poucos, até consegue esquecer-se um pouco de alguns dos seus monstros do passado. De tudo, acho que o mais triste, que acontecera com ela, estava marcado em seu braço como uma série de cicatrizes: ali, o filho biológico de uma família que pensava em adotar Roz, queimara a garota com um ciegarro, quando a mesma não tinha nem 6 anos. Mesmo depois de adulta, aquelas cicatrizes continuavam ali. Não consigo imaginar o que ela sentia, toda vez que olhava para o braço - mas o fato dela somente usar blusas longas, evitava que alguém lhe perguntasse sobre o fato ocorrido.

        Ah, o livro é realmente lindo, o Mason é um cara muito fofo e Roz é uma menina doce, ao mesmo tempo que forte. E, ainda assim, estou perdidamente apaixonada pela capa. Achei-a tão perfeita!

        Uma das partes mais lindas do livro, foi uma que, realmente, me tocou. Claro, talvez você não se sinta tão oprimida, ao ler, quanto eu me senti, já que li a estória toda e estou mais interligada com a personagem, mas... Bem, mesmo assim:

"- E o que mais você ama em mim, Rose?
Ele esperava algo que aumentasse seu ego, talvez que ela elogiasse sua inteligência e sua cultura, mas as palavras sussurradas o deixaram totalmente perplexo:
- Você olha para mim. Olhou-me desde o primeiro dia, quando me encontrou andando no acostamento da estrada e me ofereceu uma carona. Você, Mason, olha diretamente nos meus olhos quando fala comigo, ou quando me ouve. E você me enxerga.
- É difícil não enxergar você - disse ele.
- Não, não é. Eu sempre me senti como o homem do livro de Ralph Ellison.
- O homem invisível - complementou Mason."

Acho que, mais do que um simples momento de desabafo da Roz, isso foi quase como uma critica à nós mesmos. Quantas vezes não paramos diante de um medingo, e torcemos o nariz; ou recriminamos alguém no shopping, por causa de suas roupas? Pois a Roz é a do "lado de lá", a que sofre com nosso julgamento. Sim, tenho quase certeza que a autora fez uma critica à sociedade (haha, eu e meu costume de procurar sentidos filosóficos nas obras dos outros). Mas, enfim, com ou sem filosofia embutida, o livro é muito bom - adorei-o do inicio ao fim. Recomendadíssimo!

De novo, uma resenha imensa, meu Deus! (Desculpem-me!).

Nota: 10 (vezes mil)!


Ass.: Arine-chan

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